Álcool x Emergência-números preocupam em Alegrete



Os dados do SAMU, de Alegrete, de janeiro e fevereiro de 2015 mostram que aproximadamente 13% do total de atendimentos foram a pessoas com complicações relacionadas ao álcool que não envolviam, de fato, uma urgência ou emergência.

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Segundo o enfermeiro José Eduardo Farias/Coordenador do SAMU Alegrete, se forem levados em conta apenas os casos clínicos atendidos, a porcentagem sobe para em torno de 18%, ultrapassando os casos respiratórios, cardiovasculares e neurológicos.

Nessas porcentagens estão incluídos diversos casos, dos quais deve-se ressaltar o de cidadãos embriagados dormindo ou descansando, em via publica, ou em frente a residências, em que o serviço do SAMU é chamado sem ao menos, alguém ir ver a real situação da vítima. Isto leva, muitas vezes, a equipe se deslocar em “código vermelho”, situação que caracteriza emergência maior.

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Por diversas vezes quando a equipe do SAMU chega para prestar o socorro, ou o cidadão não quer atendimento, ou não sabe o porquê de chamarem o SAMU,pois ninguém conversou com ele para saber se estava bem, ou reclama de ser perturbado, chegando, às vezes, a tentar agredir a equipe. Em alguns casos o cidadão sai do local no qual estava, antes da chegada da equipe, dificultando o trabalho de localização do mesmo.

O problema do alcoolismo, ou simplesmente do uso de bebidas alcoólicas em Alegrete é muito mais amplo do que se imagina, envolvendo desde problemas orgânicos crônicos como hepatopatias como cirrose hepática, complicações neurológicas como convulsões – principalmente em epilépticos, complicações orgânicas de outras patologias devido ao uso concomitante com medicamentos, até acidentes traumáticos como, quedas em via pública com lesões, brigas que resultam em ferimentos, casos de agressões a vulneráveis (Lei Maria da Penha), acidentes automobilísticos, às vezes, fatais, dentre outros.

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O uso de álcool está por trás de muitas brigas domésticas, aqui na cidade, constata a Brigada Militar  que resultam  em agressões e ferimentos, a menores, vulneráveis e mulheres (Lei Maria da Penha), bem como, acidentes automobilísticos, às vezes, fatais, dentre outros.

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É importante ressaltar que o SAMU não faz discriminação de público, ao contrário, todos tem direito a ser atendidos e tratados conforme suas necessidades. O alcoolismo também é considerado doença e deve receber a devida importância e tratamento adequado. O que está implicado nessas circunstâncias é que o SAMU deve atender urgências e emergências. Se um cidadão estiver embriagado e em situação de urgência ou emergência, como após uma queda que produziu um corte na cabeça, o serviço indicado é o SAMU, porém se este não se encontrar nessa situação deverá ser atendido pelo serviço adequado a circunstância que se encontra.

Casos não caracterizados como urgência ou emergência, também sejam acompanhados por serviços especializados, pois possuem risco potencial de um agravo maior, evitando portanto, que no futuro esses casos venham a demandar o atendimento do SAMU, por se tornarem urgências ou emergências.

A psiquiatra Luciana Mesko Moraes diz que é sabido que o atendimento de pacientes com intoxicação alcoólica é um fato bastante comum na prática de profissionais que trabalham em pronto-socorro e emergências (SAMU). Cerca de 40% dos pacientes que chegam as emergências tem alguma quantidade de álcool em seu organismo.

Segundo dados da literatura, usuários crônicos de álcool procuram mais pronto – socorro e serviços de emergência do que usuários episódicos. Sabe-se também que existe a necessidade do médico e equipe de plantão de tomarem decisões rápidas e assertivas diante de quadros de intoxicação alcoólica os quais, não raro, se apresentam mascarados ou exacerbados por outras intercorrências clínicas (Infecções, Hipertensão, Alterações metabólicas, Traumas e outras lesões) somam-se a isso questões relacionadas a preconceito, julgamento moral e atitudes de membros da equipe de plantão com relação aos usuários que se apresentam intoxicados.
– Sabemos que a intervenção breve e realizada em pronto socorro ou mesmo em SAMU- diz a médica, tem sido uma excelente oportunidade para motivar aquele paciente a buscar ajuda.E essa intervenção, breve, realizada em emergência tem demonstrado eficácia, permitindo uma avaliação mais detalhada além do momento da crise.

A psiquiatra alegretense informa que todos os profissionais de saúde podem interceder e influenciar a prática de identificação de bebedores problema, ou dependentes de álcool no ambiente de pronto-socorro ou SAMU e, com isso, diminuir as estatísticas de violência doméstica relacionadas ao uso de bebidas alcoólicas.

Ela salienta que para ajudar estas pessoas os familiares podem encaminhar os bebedores problema aos serviços de saúde disponíveis em Alegrete tais como: ESF, Postos de Saúde e CAPS em especial o AD, além de participarem de grupos de apoio tipo Amor Exigente e outros semelhantes disponíveis nos serviços e entidades públicas.

Às vezes não é fácil,mas não se deve desistir, enfatiza a psiquiatra. Isto beneficiaria tanto o dependente,sua família e evitaria muitos outros problemas, pondera  Luciana Mesko.







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