Alegretense Simone Lucho: uma lição de que vale a pena estudar



 De família humilde, pai pedreiro e mãe empregada doméstica, a alegretense Simone Ribeiro Lucho dá uma lição e comprova que estudar rende frutos.
Ela acaba de chegar em Cartagena, na Espanha, para concluir seu doutorado em Fisiologia Vegetal.
O caminho da formação acadêmica impressiona pela força de vontade e da maneira que ela buscou seu objetivo.
Antes de se formar em 2010, em Agriobiologia, durante o último semestre na faculdade, tentou a seleção para o mestrado no programa de pós graduação em Agrobiologia -UFSM, foi reprovada.
O incentivo do professor, Fabiano Alves da Urcamp/Alegrete foi fundamental entre tantos que recebeu. A alegretense bióloga e pesquisadora conheceu uma professora da UFSM, que explicou o caminho para ingressar no curso da Universidade.
O currículo era pequeno, o jeito de ingressar era ir morar em Santa Maria e participar como aluna especial e trabalhar em um dos laboratórios, ajudar outras pessoas com o objetivo de melhorar o currículo e só no final do ano tentar novamente.
Foram dias difíceis, teve de trabalhar como diarista, fazendo faxina, de garçonete em festas infantis. O dia todo ficava na UFSM.
Mesmo formada, ela deu um passo para atrás em busca do objetivo de ser mestre em Agrobiologia.
A aprovação veio em 2012. No mestrado Simone teve excelentes notas e mesmo antes da conclusão, foi aprovada em dois doutorados.
Da graduação na Urcamp em ciências biológicas, doutorado e mestrado na UFSM, ela foi para UFPel. Após conseguir um bolsa de estudos, está no último ano de doutorado em Fisiologia Vegetal.
A orientadora, professora Dra. Eugenia Bolacel Braga acaba de ver sua aluna desembarcar na Espanha, para a Universidade Politécnica de Cartagena, considerada de excelência internacional.
O orientador no exterior é o docente António Calderón. Lá, a alegretense ficará por um semestre realizando vários estudos que comprovem que a stavia seja uma alternativa para às pessoas, em substituição ao açucar comum.
A alegretense realiza o trabalho com uma espécie chamada stevia rebaudiana, ou simplesmente stevia, recentemente esta espécie ganhou atenção, pois a Coca-Cola, lançou no ano passado uma linha do produto fabricado no Brasil com  50% de stevia.
Esta planta produz um açucar natural, não calórico e que serve de alternativa para diabéticos e pessoas que gostariam de perder peso.
“Durante meu doutorado conseguimos, estabelecer, multiplicar e obter um grande número de plantas de stevia. Após obtermos a planta, começamos a fazer as análises moleculares das enzimas que participam da síntese deste açucar. Utilizamos alguns produtos no meio da cultura destas plantas com o objetivo de aumentar a produção deste composto, tivemos bons resultados e foi quando veio a possibilidade de continuar meus estudos fora do país. Fiz uma busca em professores renomados nesta área e, foi quando chegamos a esta universidade e ao professor Calderón. Solicitei novamente uma bolsa de doutorado e fui contemplada. O valor da bolsa é em euros, e cobre todos os meus gastos no exterior incluindo passagem aérea e seguro saúde”, explica Simone.
Segundo a doutorando, já existe no mercado um adoçante produzida à base de stevia, mas o sabor dele não é tão bom ao paladar, pois possui um gosto residual muito forte, então o objetivo é através de equipamentos de última geração, identificar açucares existente e novos açucares presentes em proporções menores nos extratos de stevia e que tenham um sabor mais agradável ao paladar.
A alegretense levou in vitro e ex-vitro stevia da América do Sul, para comparações com as europeias. Além de outros estudos como genotoxidade e citotoxidade, para ter a certeza que este açucar não fará mal aos seres humanos a curto e longo prazo.
Casada há 17 anos e mãe de um adolescente, Simone frequentou o ensino fundamental na escola Lauro Dornelles, ensino médio no IEEOA (Curso Normal). Cursou a faculdade trabalhando num restaurante durante o dia e aos finais de semana em eventos organizados pela empresa.
Apaixonada pelo cultivo de plantas medicinais in vitro, com o objetivo de aumentar a produção de metabólitos de interesse para indústria farmacêutica, cosmética e alimentícia, Simone prova que não existem barreiras para atingir um objetivo traçado.
Foi superação acima de superação, como ela mesmo comenta. Considerada a segunda melhor aluna do programa, através de um ranking que analisava publicações de trabalhos científicos e notas obtidas nas disciplinas, ela segue para voos mais alto.
Aterrissou na Espanha e em 2018 a doutora alegretense, Simone Ribeiro Lucho irá selar sua história que valeu a pena ter investido seus dias e noites estudando.
Por: Júlio Cesar Santos            Fotos: acervo pessoal
 






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