Gaúchas deixam região onde o furacão Irma deve chegar com mais intensidade nos EUA




Miami, na Flórida, é uma das cidades que deve ser mais devastada pelo fenômeno. Três gaúchas que moram por lá e uma que está no país a passeio tiveram que abandonar a região.

Furacão Irma, que devastou parte do Caribe, deixando ao menos 20 mortos, deve chegar aos Estados Unidos na noite de sábado (9) e causa transtornos antes mesmo de atingir a costa norte-americana. O G1 conversou com quatro gaúchas que tiveram de abandonar os locais onde estavam em Miami, no Sul da Flórida, para fugir do fenômeno.

Três delas moram na cidade e relatam dificuldades para comprar água, gasolina e itens básicos desde o início da semana. Uma fisioterapeuta de Porto Alegre, que preferiu não se identificar, seu marido e seu filho de 3 anos, deixaram o apartamento onde moram desde maio com tudo dentro, e se deslocaram para o estado da Georgia, também nos Estados Unidos.

“Saímos essa madrugada [de sexta-feira, 8]. Deixamos tudo. Mas deu tempo de organizar e proteger o que dava em casa. Todo mundo se preparando há uma semana”, conta.

Ela viajou para estudar e pesquisar o mercado para trabalho. Mesmo com a possibilidade de destruição que o furacão pode provocar, conforme alertam autoridades, a família não pensa em se mudar.

A decisão de sair de Miami se deve muito ao filho pequeno. O prédio onde moram tem 42 andares e, segundo ela, pelo menos quatro famílias haviam decidido permanecer.

“Nosso prédio, embora seja hurricane proof [resistente a furacões], está em área de fácil inundação. A previsão é de inundar todo o primeiro andar do prédio”, relata.

Antes de sair de Miami, a família fez compras, o que a fisioterapeuta chama de “kit furacão”, com água, alimentos não-perecíveis, lanternas, baterias, copos plásticos e pratos. As compras só foram possíveis em mercados de bairro, devido a falta de suprimentos nas grandes redes. Também está bem difícil conseguir quartos de hotel, de acordo com a porto-alegrense. As outras entrevistadas também passaram por apuros ao tentar reservas.

“Temos alguns amigos que ficaram em Miami e outros que optaram por ficar em Orlando, mas o pessoal se espalhou para todos os lados. Qualquer lugar que tivesse vagas em hotel. Todo mundo está monitorando para onde o Irma vai para decidir para que lado corre. Está bem complicado conseguir hotel em qualquer lugar”, diz.

O Governo da Flórida aconselhou que os moradores estocassem o máximo que conseguissem para poder enfrentar a passagem do furacão Irma (Foto: Arquivo Pessoal )

O Governo da Flórida aconselhou que os moradores estocassem o máximo que conseguissem para poder enfrentar a passagem do furacão Irma (Foto: Arquivo Pessoal )

Quem vive situação parecida é a produtora Nathalie Leal, de 28 anos, também de Porto Alegre. Ela mora na região central de Miami com o pai, a madrasta e o cãozinho Gabiru, há três anos. Na manhã desta sexta-feira, a família precisou evacuar o prédio onde vivem, por ordens do condomínio. A família passou, então, a procurar hotéis no Norte da Flórida.

“Estava muito difícil encontrar quartos disponíveis. Procuramos hotéis, AirBnb. Precisava ser um local que aceitasse animais, por causa do nosso cachorrinho”, relata.

Natália (à direita), com a madrasta, o pai e o cãozinho na estrada, deixando Miami (Foto: Arquivo Pessoal )

Natália (à direita), com a madrasta, o pai e o cãozinho na estrada, deixando Miami (Foto: Arquivo Pessoal )

Depois de uma tentativa em Jacksonville, no Norte da Flórida, conseguiram uma hospedagem apenas em Atlanta, na Geórgia. Na estrada, a família não encontrou congestionamentos ou outros transtornos, apesar do intenso movimento. Por meio de um aplicativo, conseguiram localizar os postos de combustíveis que ainda tinham gasolina.

Com a hospedagem resolvida, agora preocupação é outra. O irmão de Nathalie, que mora em Pembroke Pines com a esposa, decidiu ficar lá. A cidade litorânea pode ser atingida pelo furacão e o medo toma conta de quem nunca viu algo parecido.

“Já passaram outros furacões na costa da Flórida. O Matthew, por exemplo, no ano passado. Mas foram só alguns dias de folga no trabalho e muita chuva. Nada como o que está acontecendo agora”, conclui.

Para Virgínia Xavier Mendes, de 45 anos, a hospedagem foi mais fácil. Ela abandonou o apartamento onde mora na praia de Sunny Isles, em Miami, na quarta-feira (6), e foi para a casa de amigos em Orlando, também na Flórida, onde os efeitos do furacão não devem chegar com tanta força. Segundo Virgínia, que também é porto-alegrense, apesar do caos que toma conta de parte dos habitantes, ela está relativamente tranquila.

“Tenho a esperança que não vai bater, que vai desviar. Mas as pessoas aqui estão apavoradas, em pânico, achando que vão perder tudo”, relata.

Ela vive há 16 anos nos Estados Unidos, e há dez é moradora de Miami. Virgínia trabalha com marketing e vendas no país norte-americano e diz que nunca passou por algo parecido. Ainda assim, conta que preferiu não ir para uma cidade muito distante porque quer estar perto de casa.

“Quero voltar o quanto antes, porque tenho preocupação com o meu apartamento. É a minha necessidade. Quero passar por isso para ver como é”, reforça.

A expectativa dela é retornar já na semana que vem, para avaliar os estragos. Tanto que levou, para o período que vai ficar fora, apenas uma mala pequena com algumas mudas de roupa, passaporte, celular, carregador e uma lanterna.

“Como a expectativa é de que o furacão chegue no sábado à noite, acho que até quarta já vai estar mais tranquilo. Moro no 25º andar, então fico mais tranquila porque não deve entrar água lá. Só quero ver se os vidros a prova de furacão funcionam mesmo”, brinca.

Corrida por mantimentos, água e produtos de higiene deixou as prateleiras dos mercados vazias, como mostra foto de Virgínia (Foto: Arquivo Pessoal )

Corrida por mantimentos, água e produtos de higiene deixou as prateleiras dos mercados vazias, como mostra foto de Virgínia (Foto: Arquivo Pessoal )

‘Nosso plano era ficar’, conta gaúcha que está a passeio em Miami

A porto-alegrense Larissa Collaço, 35 anos, estava hospedada na região central de Miami, em viagem com a amiga Chayane Godoy, quando ouviu as primeiras notícias sobre o Irma.

Larissa (à esquerda) e Chayane, em passeio no litoral, antes de precisarem deixar Miami e buscar hospedagem no estado de Nova Jersey (Foto: Arquivo Pessoal )

Larissa (à esquerda) e Chayane, em passeio no litoral, antes de precisarem deixar Miami e buscar hospedagem no estado de Nova Jersey (Foto: Arquivo Pessoal )

“Nosso plano era ficar. Saímos, compramos comida, água, pilhas, lanternas, tudo para continuar na cidade”, relata Larissa, que trabalha em Porto Alegre como personal organizer. Porém, com os alertas sobre os riscos de permanecer na área aumentando, elas precisaram mudar de ideia.

Decidiram ir para a casa de um parente de Chayane, em Freehold, cidade localizada em New Jersey. Mas inicialmente só conseguiram passagens para Chicago, em outro estado americano, Illinois. De lá, teriam que conseguir uma forma de se locomover até a cidade. Ao chegarem ao aeroporto de Fort Lauderdale, cidade litorânea próxima a Miami, tiveram a primeira surpresa: o voo havia sido cancelado.

“Começamos a tentar de novo”, diz Larissa.

Em meio a dificuldades de marcar um bilhete no aeroporto, tomado por pessoas querendo deixar o estado, Larissa e a amiga conseguiram novos voos, na quinta-feira (7), dessa vez separadamente. A amiga embarcou e seguiu viagem. Já o voo de Larissa foi cancelado de novo.

“Fiquei no avião das cinco da tarde até quase oito. Disseram que teria um problema no motor e que não tinha concerto”, conta.

Larissa precisou dormir no aeroporto de quinta para sexta, quando finalmente conseguiu embarcar. Porém, para Filadélfia, no estado da Pensilvânia. Quando falou com o G1, ela aguardava a amiga chegar, de Chicago, para irem juntas até New Jersey.

“Agora estamos tranquilas. Mas é uma tranquilidade relativa, porque nossos amigos estão em Orlando e em praias ali por perto”, revela Larissa.

O plano das duas amigas era ficar na cidade até a próxima quarta-feira, aproveitar os últimos dias para conhecer as praias da região, mas tudo precisou ser abandonado. Larissa ainda não sabe como vai fazer para buscar seus pertences que não conseguiu levar de Miami.

“É muita indefinição, e isso é o mais difícil: ficar sem saber nada. A gente tem que tomar decisões em cima de previsões, o que é muito complicado”, lamenta.

Ela e a amiga ainda não têm previsão de retorno ao Brasil e, apesar dos imprevistos e das dificuldades, Larissa não planeja deixar de visitar a cidade.

“Continuo gostando de ir para Miami. Mas serve como aprendizado: não demorar muito pra decidir. Também não dá pra cair no desespero”, aconselha.

Fonte: G1





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