“Minha filha não é doente”- diz mãe de filha vítima de homofobia em escola pública


Na manhã de quarta-feira, 11,  o PAT conversou com a mãe de uma adolescente  para falar sobre uma situação que envolveu a menor no ambiente escolar. A manicure iniciou a entrevista dizendo que julga ser um preconceito totalmente fora de propósito, especialmente pela atitude reprovável ter sido de uma pessoa em que ela acredita que deveria dar exemplos positivos.

Ela é mãe de uma estudante de 16 anos, estudante do oitavo ano numa escola estadual de Alegrete. O que deixou a mãe e filhas aterrorizadas foi a postura de uma professora que faz parte da direção do educandário.

A menina que é homossexual, diz ter sofrido preconceito por parte da diretora, além de ter passado por uma situação constrangedora que acabou resultando num desfecho muito negativo. Segundo ela, essa é a terceira vez em quatro anos que a filha é vítima de preconceito no ambiente escolar. Logo que chegou em Alegrete, uma professora de história, à época,  teria falado para algumas meninas não se relacionarem com a adolescente pela forma com que ela se vestia e porque poderia ser má influência. Na segunda vez, mais recentemente, uma educadora de português teria questionado se a chamava pelo artigo masculino ou feminino. Além disso tudo, na manhã de terça-feira(10), a estudante estava sentada na companhia de outra menina na escada, lado interno da escola, quando foram surpreendidas pela Diretora.

Nesse momento a professora teria perguntado se elas estavam namorando. “Elas estavam apenas sentadas, sem provocar qualquer atitude que fosse ofender os demais ou afrontá-los, relata a mãe.  Diante da negativa da resposta, a Diretora levou as meninas para uma sala e depois ficou com apenas uma. Dentre algumas colocações, ela teria dito para a outra estudante, que elas não teriam futuro e nem filhos, entre outras ponderações.

Logo após o ocorrido, o incidente tomou proporções. Alunos e amigos das estudantes se revoltaram, fizeram um cartaz onde escreveram: “basta homofobia”. Porém, o cartaz foi retirado do local.

Por várias vezes, tanto a mãe como a filha se emocionaram e choraram muito ao lembrar de algumas situações em que a filha passou e está passando por conta do preconceito.

“Minha filha sempre se vestiu de forma diferente, tem seu lado mais despojado e, também, tem a certeza da sua opção sexual.

“Lembro que há 5 anos ela sentou comigo e falamos abertamente sobre tudo. Coloquei pra ela que não seria fácil , mas também não precisava passar pelo que está enfrentando. Ainda mais por vir de quem tem que dar o exemplo positivo , tem que educar e amar.”- citou.

A mãe da adolescente relatou que têm duas filhas, uma de 16 e a outra de 14 anos. Ela argumenta que desde pequena a mais velha era diferente. “Minha filha nunca gostou de se vestir como menininha, mas também não tem uma doença grave ou algo que possa gerar esse preconceito. Isso não é modinha”- colocou.

A manicure reconhece que a filha cometeu alguns deslizes e já tinha reclamações de que ela e a outra menina estavam se encontrando em turnos opostos. Uma estuda pela manhã e a outra durante à tarde. Porém, já havia conversado com ela para que isso não voltasse a acontecer. “Mas isso não dá o direito de uma diretora “atropelar” minha filha, destacou.

Em contato com a diretora, ela alegou ter sido mal interpretada. Que o fato só aconteceu por um pedido da mãe da outra menina.

Muito abalada no primeiro dia após o ocorrido a filha não consegui ir à aula. A mãe  descreveu que fez algumas propostas, mas no final respeitou a tristeza e a dor da filha. “Vou defender minhas filhas mais que uma leoa, jamais vou admitir que haja preconceito de forma explícita e ficar calada. Minha menina é incapaz de fazer mal a qualquer pessoa. Acho que seria um problema grave ter que fazer uma cirurgia, ter HIV, câncer ou qualquer outra doença incurável. Minha caçula (chorando), disse: o que será que a mana não passa e fica pra si.  É triste o preconceito”. falou limpando as lágrimas.

A mãe falou que apenas deseja que a situação sirva como exemplo e que outras adolescentes, estudantes, que tenham uma opção sexual diferente ou uma forma de se vestir, mais despojada, não se tornem alvos de pessoas ignorantes e preconceituosas. “Minha filha, é homossexual, mas é acolhida e amada por todos os familiares. Meus pais, tios, primos e todos as pessoas próximas a amam e a respeitam” – ponderou.

Inúmeras mensagens de apoio e carinho à estudante foram postadas em redes sociais.

Tentamos contato com a acusada, mas ela estaria afastada por problema de saúde, por esse motivo o nome da instituição e da diretora também não foram citados. Mas o PAT está à disposição.

A mãe da menina procurou por um escritório especializado em direitos humanos e gênero, aqui de Alegrete, para as medidas judiciais cabíveis.

Flaviane Favero


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3 comentários

  • junior conceição

    os professores desta instituição estão desqualificados pra educar nossos filhos ?????
    já q não e a primeira ocorrência de tal irresponsabilidade

  • Rafaela

    Precisamos de mais amor, precisamos amar as pessoas sem importar a cor da pele, sem importar sua opção sexual, sem importar sua crença e por aí se vai um monte de diversidade que existe neste mundo, com amor e respeito ao próximo esse tipo de situação não existiria.
    Que melhor lugar que uma escola pra ensinar que somos todos iguais, deveria ser assim né?

  • Indignada

    Que triste isso! Espero que a secretaria de educação do estado se posicione quanto a isso! Nossos filhos não são ninguém nas mãos destas pessoas despreparadas e ultrapassadas. Gente que parou no tempo!

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