Pedagoga alegretense retira as duas mamas diante do alto risco de câncer

A proporção de mulheres que decide fazer mastectomia preventiva, assim como a atriz Angelina Jolie, aumentou nos últimos anos especialmente entre jovens, nos Estados Unidos. No Brasil o procedimento está sendo usado, sem a repercussão como teve o caso da atriz.

Uma alegretense que passou pela mastectomia preventiva, resolveu contar como aconteceu e o motivo que a levou a tomar uma decisão difícil como essa.

Catiuscia Duarte Hoch, de 34 anos, inicia a entrevista dizendo que se considera uma mulher forte, guerreira, determinada, com muita fé, além de linda, lógico!-(sorri).

Ela passou por uma mastectomia(cirurgia para reduzir o risco de desenvolver câncer de mama por meio da remoção de uma ou ambas as mamas antes que a doença apareça), há pouco mais de um mês.

Casada e mãe de um menino, de dois anos, ela destaca que o apoio da família é essencial e que tem no marido,  na mãe e na amiga Lucia a fortaleza que precisou para enfrentar a cirurgia e o pós.

A decisão veio após o grande índice de câncer na família e perder precocemente pessoas queridas – comenta.

Há aproximadamente dois anos, a pedagoga foi aconselhada pela mãe e tias, a realizar o teste de detecção de mutação genética. Ao sair o resultado foi constatado que era portadora de uma mutação no gene BRCA1, que faz com que a probabilidade de desenvolver tumores mamários chegue a 85%, em média, e a de câncer de ovário seja 60% maior do que para o restante da população.

Face ao resultado, Catiuscia enfatiza que se viu diante de duas opções: fazer exames a cada seis meses ou a cirurgia radical. Embora com medo e muita ansiedade, ela conversou com o marido, que deu total apoio.

Foi então que iniciou todo o processo de preparação. A professora argumenta que as médicas, sempre foram muita atenciosas, e expuseram os prós e os contras da conduta.

“Eu iria ficar de seis em seis meses procurando um câncer, tensa, esperando resultado pelo resto da minha vida. E, se acontecesse, teria de tirar a mama, sem contar a rádio e a quimioterapia, exames mais complexos e invasivos. Eu sabia do risco que tinha, então decidi ser proativa no combate à doença a fim de minimizar seus riscos o máximo possível”. ponderou.

Por aconselhamento médico, Cati como é conhecida, optou por iniciar o processo pelos seios porque o risco de desenvolver câncer de mama era mais alto do que o de ovário, além de a operação ser mais complexa. Ela diz que é uma mistura de coragem, por fazer, e covardia, por não querer ficar doente, mas que preferiu não correr  riscos quando ainda tem chance de evitar. “Essa era a minha consciência”.
A mastectomia preventiva mamária é uma cirurgia de prevenção ao câncer de mama, que consiste na retirada da região interna da mama, da glândula mamária juntamente com os ductos mamários.

Ela realizou a mastectomia bilateral, como forma de prevenção contra a doença no dia 31 de maio de 2017, e reduziu os riscos de câncer em até 90%.
A cirurgia foi feita por uma equipe multidisciplinar, uma mastologista e um cirurgião plástico que fez a reconstrução mamária. O corte se deu ao redor da aréola e por meio dessa incisão retiram as glândulas mamárias, preservando a pele.
No caso de Catiuscia foram preservados a aréola e mamilos e foram colocadas as bolsas expansoras que a cada três semanas são preenchidas com o soro fisiológico. Essas, preparam as mamas para receber a prótese de silicone em um procedimento cirúrgico futuro.

“Foi dolorido, sim! Com certeza é uma cirurgia enorme, quando saí do centro cirúrgico depois de quase 5 horas de cirurgia (enquanto minha mãe e meu marido gastavam a sola dos sapatos andando pelos corredores do hospital, rsrsrs), e acordei da anestesia, pensei que tinha sido atropelada por uns 10 caminhões (e não é exagero tá). Senti dores, a recuperação foi longa necessitando de ajuda para tudo, tendo que minha “Éia” (minha amiga “mãe”) e meu marido me darem até banho, pois não podia levantar os braços, fazendo curativos todos os dias, até hoje ainda dormindo somente de barriga para cima, quase sentada. Enfim, não vou entrar em muitos detalhes. Mas já dá pra saber que não é fácil. Sei que cada dia que passa estou melhor, mais forte e feliz”. revela.

Catiuscia destaca que acredita ter tomado uma decisão sábia, não apenas por evitar o sofrimento pessoal, mas um por um motivo maior. Não queria que as pessoas que ama passassem pela experiência de enfrentar um caso de câncer novamente na família.

“A ideia de que poderia desenvolver o câncer sempre esteve por perto, rondando e assombrando a todos. A partir de uma prima que incansavelmente lutou contra a doença foi que fomos parar no hospital de Clínicas de Porto Alegre. A história da nossa família despertou o interesse de alguns profissionais da área da oncogenética que fizeram um mapeamento genético por conta da suspeita de síndrome genética: muitos casos na família de câncer de mama e ovário, o teste nos foi aconselhado.”- destacou.

A pedagoga falou que decidiu compartilhar a sua história com o objetivo de alertar e fazer com que mais mulheres se previnam.  Ela brinca ao dizer que o papo é um pouco diferente, não é dica de esmalte, make, produtos de beleza ou look, receita ou resenha, mas envolve totalmente o universo feminino.

“A decisão de fazer mastectomia não foi fácil. Mas estou muito feliz de tê-la tomado!
Sim, eu não tenho vergonha de dizer que realizei a mastectomia bilateral preventiva para evitar o CA de mama. E digo mais,super recomendo a todas às mulheres que correm esse risco. O meu objetivo com este relato é alertar e fazer com que mais mulheres se previnam. O negócio é se cuidar”-

Cati conclui dizendo que é abençoada, por contar com o amor e o apoio do marido, dos amigos, parentes e da equipe médica. Cita a importância que teve diante da oportunidade de prevenir.

“Tive todas as opções, o que, quando você está com câncer, não tem. Você começa a correr atrás do tempo. E o que eu quero, é ter o tempo para mim! – resume.





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