Rodrigo Vieira, o ex-promotor que deixou a carreira no MP porque acusar não lhe dava prazer

Com carregado sotaque da fronteira, o quariense e advogado Rodrigo de Oliveira Vieira, ex- promotor de Justiça esteve em Alegrete e falou sobre assuntos que estão na mídia, nas redes sociais e preocupam as comunidades de todos os cantos do país.

Depois de 16 anos como Promotor de Justiça, sendo seis aqui em Alegrete, Vieira antes de iniciar a entrevista diz ser cidadão alegretense e de Uruguaiana, cidades que tem grande carinho e admiração. Ele conta que há dois anos vinha trabalhando a ideia de sair do que todos dizem ser seguro. “Foi bem pensado, eu não ia dar um mortal sem uma rede.”

-O momento decisivo que me fez optar em sair da carreira do MP foi em um juri, quando vi e senti a tristeza no olhar da família de um réu. Me senti mal e disse, internamente, tenho que mudar, vou fazer o que me provoca brilho nos olhos.”

E a mudança veio em março, deste ano, quando assinou sua exoneração do Ministério Público do RS para atuar como advogado criminalista. E os 16 anos do outro lado do balcão, afirma que o capacitaram aos novos desafios.

O bem articulado Rodrigo Vieira está atuando em uma banca, com mais dois colegas, em Caxias do Sul, mas afirma que sempre com os pés fincados na Fronteira, região onde nasceu e gosta muito.

Sobre a prisão do ex presidente Lula, em que muitos dizem que foi preso sem provas ele diz que a rigor ninguém deveria ser condenado sem elas e, ao seu ver, faltou “a prova”, neste caso. E quanto às delações premiadas, comentou que elas não são provas e sim o caminho para a investigação.

E disse mais, “se abrir a porteira passa uma boiada se referindo a corrupção no Brasil”.

Um problema que assola as sociedades é o tráfico é a quantidade de pessoas presas ou mortas em decorrência disso. Rodrigo Vieira é enfático ao dizer que fazendo mais do mesmo não se chega a lugar nenhum. Ele acredita que regular a venda e o consumo, como no caso da maconha no Uruguai, poderia mexer na espinha dorsal do tráfico, por ser diferente e pode dar certo, aponta. – Prender o traficante, ficar no primeiro degrau, sem investigar como a droga chega até ele e ir ao início da cadeia toda ninguém faz”.

Os presídios para o ex-promotor são uma pós graduação do crime e enquanto ninguém cobrar e, inclusive, coloca que a sua ex instituição não faz isso, e assim a situação das casas prisionais só piora.

– Existe uma baixa consciência social, um pacto de hipocrisia e o que se faz é enxugar gelo. É preciso ouvir universidades, estudiosos para se construir algo diferente, que óbvio passa pela educação. Porque senão não há presídio que chegue.”

Em relação à educação brasileira, considera ruim e também porque os professores são mal pagos e não valorizados.

Comentou ainda sobre a falta de empatia da sociedade, a capacidade de se colocar no lugar do outro. -Há um individualismo e consumismo exacerbado e isso não é bom, acredita.

As redes sociais analisa com um espaço que deu voz às pessoas, mas também não há controle e muitos escrevem coisas sem fundamentação que geram discussões, brigas e até inimizades, o que considera um absurdo. “Tem que haver respeito para se viver em sociedade”.

– Cito o caso do quem gosta de ouvir música e põe a todo vapor, sem pensar que a música que ele gosta não é a mesma que o vizinho curte e, por isso vai ter que maneirar no volume, o que vale para todas as situações”, pondera.

E sobre a grande e importante questão deste 2018, a escolha do novo presidente, o advogado entende que o próximo tem que ser como um Magistrado, ouvir a todos, que ponha água na fervura e não gasolina no fogo. “O país precisa de paz para trabalhar”, afirma.

Com a convicção de quem fez a mudança certa, o ex- promotor que deixou uma carreira sólida de 16 anos, além da literatura jurídica, gosta muito de ler biografias, livros de história, romances e praticamente não assiste TV.

Vera Soares Pedroso

 

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