Sem o jaleco, o centrado doutor Rigol é um roqueiro inveterado

Julio Rigol, médico ortopedista, especialista em cirurgia do quadril – Mestre em Ciências Cirúrgicas pela UFRGS, além da corrida rotina – consultório e hospital – não abre mão de uma paixão; tocar sua guitarra.

– Minha relação com a música, mais especificamente com o Rock, começou em 1985 quando conheci o AC/DC. Eu tinha 12 anos. Sempre quis aprender a tocar violão ou guitarra, e tinha uma certa frustração por não ter aprendido.

Ele se diz apaixonado por rock’n’roll e depois que começou a trabalhar, sempre comemorou o dia Mundial do Rock, que é dia 13 de julho, se presenteando com algo mais caro, como um jogo de CDs ou um DVD duplo de alguma banda que goste.

Rigol conta que depois que casou, a esposa Angélica obviamente sabia disso e, há uns 9 anos ela me disse: “Este ano, eu vou te dar o presente no Dia Mundial do Rock”. E me deu uma guitarra”, modelo Stratocaster Memphis.

As aulas para aprender a tocar iniciaram ainda em Passo Fundo quando decidiram voltar para Alegrete, porque ele tinha em mente que ia fazer algo diferente em prol de sua cidade, principalmente no lado da cultura.

Depois, montou sua clínica cuja sala de espera não tem televisão nem revistas de fofoca e, sim, livros. Somente livros. Isso bem antes do bookcrossing. “Depois, começamos a incentivar movimentos culturais e esportivos em Alegrete (por exemplo, ajudamos a financiar o Coletivo Multicultural, já ajudamos o Coral Municipal e já ajudamos o torneio de Padel da prof. Vera Palma).

– E também, botei na cabeça que eu ia montar uma banda de Rock. Comecei a fazer aula de guitarra na Oficina do Som, descobri dois amigos das antigas que também tocavam, o Gustavo Carlesso, bateria e o Leonardo Rosso, violão.  Rigol os incentivou a tocar com ele para fazerem algo diferente. Daí nasceu a Osso Duro, que durou 1 ano e 6 meses. Tocavam rock nacional e som dos anos 80 e até lançaram um DVD ao vivo.

O médico conta que aquilo realmente mexeu com ele e percebeu que queria estar mais nos palcos. Só que sentiu que seus companheiros, (ou alguns deles) não queriam se apresentar ou se dedicar como ele. Daí montou sua segunda banda, a Contrapeso. Essa fez um relativo sucesso no underground alegretense, onde tocavam um rock mais pesado.

Sempre houve alguma alteração nos membros da banda, principalmente no baixo, e o último baixista foi o psicólogo santiaguense, Luiz Paulo Milani, que havia se mudado para Alegrete e já participara de várias bandas por lá, uma inclusive de bastante sucesso no cenário underground do metal, a Anlis.

– Eu e o Luiz Paulo nos demos bem, na hora, ambos focados e levando a coisa com seriedade. Foi daí que tive a ideia de acabar a Contrapeso, e sugeri para ele acabar com a banda que estava tocando por último em Santiago, e montarmos juntos algo um pouco maior. Foi daí que surgiu a Moonmath, em março de 2015.

Nesta banda tocaram um rock bem pesado, sombrio, onde estão compondo e gravando um CD que sairá em breve. Já tocaram em diversas cidades da região, e são muito bem recebidos em todos os shows.

– Me perguntam: “por que tu toca? Por que tu  faz isso?”. Bom, faço isso porque me dá um grande prazer. Uma grande diversão. É um sonho de infância que estou realizando agora, depois de velho”.  Dr Rigol tem 44 anos, mas diz que sua alma é livre, pensa e age como jovem. “É um momento em que a gente se desprende um pouco do lado profissional, que muitas vezes é bastante tenso, e relaxa.

Um familiar uma vez lhe perguntou: “Mas o que será que os outros vão achar? Tu, um médico, tocando guitarra por aí!”. Bem, uma coisa que aprendeu há uns anos, é que a sua motivação e felicidade não depende da aprovação dos outros. Além do mais, está fazendo música, algo saudável e de cunho cultural. Não vê nada de errado nisso.

Ele também quis desmitificar um conceito totalmente equivocado que é de achar todo roqueiro, todo músico, drogado ou vagabundo. “Isso é um absurdo, afirma. Muito pelo contrário. O pessoal ligado ao Rock geralmente é o que mais lê e é o tipo de música mais influente nos países desenvolvidos”.

O médico fala que se dedicando a música quando não está sendo médico, pode ser um exemplo e mostrar aos mais jovens que tu podes fazer o que quiser, e não o que os outros esperam de ti (desde que seja lícito, óbvio). “Não podemos perder tempo vivendo a vida dos outros”.

Outro hobbie de Julio Rigol é a produção de cerveja artesanal. Começou a fazer cerveja em 2015, fez vários cursos e está trabalhando  para que isso se torne um negócio em breve. Há poucas semanas, fundou a ACERVA – Fronteira-Oeste (Associação dos Cervejeiros Artesanais), junto com outros home-brewers (cervejeiros caseiros), e foi eleito o vice-presidente.

E ainda sobra tempo para estudar. Atualmente, cursa o 5º semestre de Administração na UNOPAR, e Preside a Associação Médica de Alegrete.

– Creio que essa seja uma característica minha: levo tudo muito a sério. A diversão pra mim é coisa séria. Não brinco por “brincar” somente. Se vamos fazer algo, que seja intenso!

Por: Vera Soares Pedroso





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