A enchente de maior lentidão no recuo das águas do Ibirapuitã

Com a baixa lenta das águas, além da dificuldade de algumas famílias que estão há mais de 10 dias fora de suas casas, o relato é de que há muito lixo e sujeira acumulada, além de cobras e escorpiões.

Muitas famílias perderam tudo, outras aguardam ansiosas o momento em que finalmente vão ter a chance de contabilizar aquilo que ficou e será aproveitado. Por todos os locais atingidos pela enxurrada ou enchente, a maioria, tem registros de muito lixo, além do que vai acumulando nas ruas e avenidas com a retirada do que está estragado. Por mais que o exército e a Prefeitura estejam realizando um trabalho exaustivo para o recolhimento, há muito para ser descartado e recolhido pelas caçambas e retros.

Esses detritos da enchente provocam o aparecimento de cobras, aranhas, escorpiões e a contaminação da água parada, principalmente com o aumento considerável de casos de focos do mosquito Aedes aegypti. O risco de pessoas contaminadas pela Dengue é muito grande. O trabalho da Secretaria da Saúde foi ampliado, até o momento são 82 focos.

Também há comentários de pessoas que realizaram limpeza em suas casas e ficaram com mal estar devido o mau cheiro da água. Uma moradora do bairro Macedo, disse que está com 30 anos e nunca tinha se deparado com uma situação em que a baixa do Rio fosse tão lenta. Ela comentou que ao limpar a casa se deparou com uma crosta verde, uma espécie de limo na água que, ainda, permanecia numa parte do pátio. Sem contar na sujeira que estava no interior da residência.

“Sempre foi difícil essa limpeza, porém, desta vez, o acúmulo de lixo foi maior. Sem contar no número de cobras, somente perto da minha casa, registramos mais de quatro, são cruzeiras enormes. Um perigo para quem ainda está fora de casa, nas barracas.

É complicado olhar e ver destruição para todos os lados, sujeira e mau cheiro, entre outras situações. Entretanto, por mais que tenhamos a consciência de que não tem como intervir na natureza, que a força das águas independem da nossa vontade, é importante que as pessoas também tenham mais cuidado com o descarte do lixo, com a falta de educação em muitos casos. Mesmo agora, com tanta gente precisando, acompanhei pessoas colocando marmitas para os cachorros, porque acharam a comida sem sal.

As campanhas e pedidos para que haja mais consciência com o lixo vem há anos. São muitos bueiros trancados, muitas saídas sem vazão o que também auxilia para que a água entre nas casas e, quem sabe um dos motivos, para essa lentidão, além das águas que estão sendo represadas pelo Uruguai” – declarou Joana Machado.

No final da tarde de terça-feira(22), o nível do Rio estava 10,54m acima do normal, desde que iniciou a baixa, contínua, teve uma média de 10cm por dia, o que é muito pouco, segundo os moradores que já enfrentaram outras enchentes.

Apesar da perspectiva de diminuição da chuva, a Defesa Civil avisa que nos próximos quatro dias, cidades da Fronteira Oeste ainda poderão sofrer reflexos da onda de cheias, principalmente municípios banhados pelo Rio Uruguai.

Compartilhe
  • 403
  •  
  •  
  •  
  •  
    403
    Shares

Seja o primeiro a comentar

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será divulgado.


*