A trança e seus significados na cultura afro foi tema de palestra na programação A África em nós

A Semana da Consciência Negra foi um momento de reflexão e celebração da cultura, história e contribuições do povo negro para a sociedade.

Com o objetivo de fortalecer o reconhecimento da rica herança africana, a Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) José Antônio Vilaverde Moura promoveu a programação “A África em nós”, que contou com a palestra da trancista Giovanna Ruiz. Durante o evento, ela compartilhou seu conhecimento sobre as tranças, abordando sua origem e o profundo significado cultural que possuem para o povo negro.

A atividade integrou a programação intitulada “A África em nós”, promovida em virtude da Semana da Consciência Negra. Durante a palestra, Giovanna abordou a origem das tranças e seu significado cultural para o povo negro.

Segundo Giovanna, as tranças têm um papel que vai além da estética e da moda. A prática, que se tornou comum nos dias atuais, remonta a cerca de 3.500 a.C., na Namíbia, país localizado na África. Naquele contexto, as tranças eram utilizadas para identificar povos, tribos, status social, riqueza, religiosidade e estado civil.

Entre os exemplos citados, ela destacou as tranças nagô, originárias dos povos nagô. Para além de sua função estética, esses penteados carregam significados históricos e representam a força e a resistência do povo negro. Ela relatou também como as tranças desempenharam um papel estratégico durante o período de escravidão no Brasil.

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Ao serem trazidos ao Brasil, pessoas negras escravizadas tinham seus cabelos raspados, uma prática que buscava eliminar símbolos de pertencimento étnico e cultural. Com o crescimento dos cabelos, os penteados tradicionais foram retomados. Entre esses penteados, as tranças nagô foram usadas para traçar rotas de fuga e como esconderijo de sementes e grãos, que garantiam a subsistência ao chegarem aos quilombos.

Além de contextualizar a relevância histórica das tranças, Giovanna compartilhou sua experiência como trancista e futura professora. Com cinco anos de prática, ela ressaltou que sua atuação vai além do ofício de trançar cabelos, pois envolve a valorização da autoestima e o resgate de uma cultura marcada pela resistência.

A palestra buscou sensibilizar os alunos da EMEB José Antônio Vilaverde Moura para a importância de conhecer e respeitar as tradições africanas, promovendo uma reflexão sobre a herança cultural e a história do povo negro no Brasil.

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