Aldori Tito, o esquilador e alambrador multicampeão de trova do RS

Aldori Tito, o alambrador e esquilador que tem nos versos a poesia da vida e a leveza da alma. De uma família muito humilde com 17 irmãos teve que sair de casa para trabalhar aos 14 anos, quando o pai faleceu. A vida ensinou este batalhador que o trabalho dignifica o homem e que não se deve ter medo de apostar nas coisas simples e belas da vida.  Aldori aceitou falar da sua história ao PAT. De todas as nuances, ele lamenta que a tecnologia ao mesmo tempo que aproxima as pessoas que estão longe, afasta as que estão perto. “Não tem mais aquela conversa olho no olho, a maioria prefere o WhatsApp” – comentou.

O início

O alegretense sempre morou no interior e o sustento da família sempre foi produzido pelos pais com a ajuda dos filhos. Aldori que iniciou na lida aos 6 anos, teve que sair de casa e ter a responsabilidade de ajudar a mãe, aos 14 anos, devido à morte do pai. “Éramos 18 filhos, nesta época, minha mãe ficou com nove filhos menores e a solução era sair para ajudar no sustento da casa. Eu fui trabalhar numa fazenda. Lá, fui peão, caseiro entre outras funções.

Os passeios nos finais de semanas em canchas de bocha deram início às trovas. Foi neste período, 14 anos, que começou a cantar e a trovar. Aos 28 anos foi a primeira vez que participou de um programa de rádio e aos 34 anos a estreia nos festivais de trova.

Em 2007 começou a trabalhar como alambrador e também iniciou o desafio da esquila. A safra da esquila é de setembro à janeiro.

Convite

Em 2012 Aldori foi surpreendido com o convite feito pela então Patroa do CTG Oswaldo Aranha, Gisele Barua, para participar do ENART. Para sua felicidade, o alegretense ficou com o primeiro lugar. Ali ele dava início a essa paixão. O laser, como ele descreve, pois a trova é uma forma de expor o que a vida o ensinou durante as lutas que teve que enfrentar, assim como as alegrias. Ele venceu quatro vezes o Enart, ficou uma vez em 3º lugar e outra em 2º. Destes anos, foram inúmeras as participações em Festivais, Campereadas e outros eventos. Virou um mito neste meio. Aldori fala que quase não acreditou quando foi campeão ao disputar com um dos nomes mais conceituados na trova, José Macedo, pentacampeão da Vacaria. Também teve duelos, com outros nomes importantes, assim como o parceiro de estrada e festivais, Diomar Almeida.

O trabalho

Mas sempre seguiu trabalhando como alambrador e esquilador, além, do caminhão que faz frete. A trova, como destaca, é para as horas vagas. De todas as lides do campo, Aldori pondera que a doma nunca chamou sua atenção.  Hoje ele está separado e tem três filhos. Dois meninos e uma menina.

Aldori, aos 41 anos, explica que a profissão (alambrador, esquila), é sofrida, trabalha de sol a sol sem ter hora para começar ou terminar, mas que tudo compensa por ser uma atividade que ama. “Acho que não saberia fazer outra coisa, o trabalho é o que nos move. Nas horas de folga se junta pedra, não tem como parar. ” – sorriu.

Não vivo da trova, não é ela que me sustenta ou aos meus filhos. Pois os filhos são nossas maiores riquezas, tudo o que faço é pensando neles. Para que eles possam ter uma condição de vida melhor, uma profissão. Eu caminhava alguns quilômetros a pé para chegar na escola e estudei até o terceiro ano, porém, a sabedoria que adquiri nas batalhas diárias me fizeram crescer como pessoa e ser humano. Agradeço sempre por todas as oportunidades e por todas as conquistas diárias”- diz o alambrador.

O que o trovador lamenta é que a internet é uma grande avanço, mas ao mesmo tempo uma preocupação. Hoje os pais estão mais afastados dos filhos, os amigos não são verdadeiros como na época em que não tinha telefone, não tinha quase nada dessas modernidades. Chinelo de dedo era o calçado mais usado e o crescimento dos filhos sempre era acompanhado de perto pelos pais. O dia-a-dia impõe que os pais fiquem períodos prolongados longe dos filhos e da família, pelo trabalho que na maioria é uma correria sem fim. Ensino aos meus filhos que eles precisam sempre valorizar a família e, principalmente, a mãe. Pois, hoje, é quem está sempre mais próxima e consegue acompanhar o crescimento de todos.

“Se trabalhava mais, à época em que eu era criança, mas éramos mais felizes. Hoje é um querendo comer o rim do outro, não existe mais vizinhança, isso é lamentável.”- concluiu.

Flaviane Favero

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