Alegretense Daniel Rodrigues: um andarilho do samba

“Eu vivo de samba, porque o samba vive em mim”. Assim se auto define o entrevistado do Portal Alegrete Tudo.

O alegretense Daniel dos Santos Rodrigues, é filho do casal Paulo Lopes Rodrigues, conhecido na cidade como Aladim, das alegorias no carnaval e da professora Marta Helena Dos Santos Gomes.

Aos 30 anos, busca no gênero do pagode uma carreira de sucesso. Iniciou a tocar no Grupo Tok Sensual, que voltou agora a fazer festa e é um dos ícones da cidade. A popularidade do Daniel do Cavaco, que fez história no Grupo Nosso Stylo, a qual enraizou no nome do músico, pois muitos chamam de Daniel Nosso Stylo.

Daniel já tocou em SC e PR. Diversas participações em shows com vários artistas consagrados no mundo do samba: Ferrugem, Délcio Luis, Márcio Art, Thiago Soares, Mário Sérgio, Ah Mr Dan , Waguininho , Dilsinho , Diney, Marquinhos Sensação, André Marinho , a madrinha Cláudia Quadros, Preta Guedes , Gustavo Martins , Juninho PC, Serginho Meriti, Reinaldo e até integrantes do Grupo Pique Novo, além de grupos gaúchos como Louca Sedução, Pura cadência, Tá Combinado entre outros.

Participou de shows de aberturas do Bom Gosto , Dudu Nobre , Crigor , Referências , Os Travessos, VPC, Negritude Jr., Leci Brandão , Boka Loka , Zueira , Mulekagem e Doce Encontro.

Atualmente radicado em Itajaí, Daniel integra o Grupo Klimasamba, numa folga da agenda, concedeu uma entrevista para o Portal Alegrete Tudo:

Portal: E Esse dom para a música, herdaste de quem ?

Daniel: Primeiramente eu quero agradecer o convite pra essa entrevista e ter essa oportunidade de poder contar um pouquinho da minha história. Na verdade começou com meu tio Celso Elias, que tocava pandeiro e depois meu irmão, o Anderson, mais conhecido como mestre Karoço, que foi minha influência direta. Ele também era músico na época da Banda Tentação, sucesso na cidade, e eles ensaiavam muitas vezes lá em casa e eu muito novo com apenas 6 anos, já pega alguns instrumentos quando eles deixavam lá e ficava no meu quarto escondido tentando tocar. (risos).

 
Portal: Sempre foi uma referência no samba e pagode em Alegrete. Como iniciou o trabalho musical ?
Daniel:  Muito obrigado. Eu comecei a trabalhar mesmo foi em 2002, aos 15 anos, com uma rapaziada que também era sucesso na cidade o grupo Tok Sensual, foi aí que eu comecei a receber e trabalhar de verdade, mas antes mesmo já fazia alguns pagodes com amigos em festas, os guris mesmo do grupo tentação, me levavam as vezes para tocar, mas eu era muito novo e tinha que estudar, e a minha mãe também não me liberava muito não (risos). Mas o Tok Sensual foi o que eu considero de verdade o meu início.
Portal: Além de cantar e tocar tu desempenhou um papel importante no MOV. Que atividade foi esta ?
DanielIsso. Foi uma das grandes experiências em minha vida. Nossa eu adoro trabalhar com crianças e o MOV foi um grande presente que eu recebi. O meu amigo e “padrinho”, vereador Celeni Viana, que me deu essa oportunidade, junto com a Secretária de Educação Márcia Dornelesm e também a professora Maria Lúcia, que são pessoas sensacionais. Ano passado eu trabalhei nesse projeto, como professor de música, onde pude levar a minha música para outros caminhos, não só nos palcos, mas também poder compartilhar os ensinamentos que tive. Foi uma grande experiência e fiz muitos amigos, e sempre meus alunos me mandam mensagens, que estão com saudade das aulas. Isto é muito gratificante e me emociona muito. Quero deixar um grande beijo a todos, desse lindo projeto MOV.
Portal: O show do Raça Negra ficou marcado em Alegrete. Na época fizeste a abertura com o Nosso Stylo. O que mudou a partir dali ?
Daniel: Sem dúvida nenhuma esse foi o melhor show realizado em Alegrete. E vou confessar no começo nem gostava muito de Raça Negra, mas quando eu comecei a viajar por aí, e vi que não tem lugar no Brasil que você não vá, que o pessoal não vem pedir para tocar um Raça Negra, é impressionante. Depois aos poucos comecei a entender e a gostar, hoje gosto muito, sei todas e com certeza esse show para o Grupo Nosso Stylo, na época foi um divisor na cidade, porque era muita gente. Raça Negra tira todo mundo de casa meu amigo, não é brincadeira, (risos). Muita gente não conhecia nosso trabalho, gostou do que viu. Nossa foram muitas mensagem de parabéns no outro dia, e também era um público de quase 5 mil pessoas. Não sabíamos como iríamos nos portar em um show dessa magnitude, mas graças a Deus foi melhor do que nos esperávamos. O Nosso Stylo já era muito requisitado na cidade, mas depois daquele show, foi muito mais, obrigado ao público alegretense. Que dia inesquecível.
Portal: Tu conhece muitos artistas consagrados no samba do país. Qual influenciou mais no teu estilo musical ?
Daniel: Graças a Deus o samba já me deu essas alegrias e oportunidade de conhecer grandes nomes do samba, e também não posso deixar de agradecer ao meu amigo Sidnei que tem grande parte nisso. Eu procuro sempre tirar um pouquinho de cada um, no canto, na energia e na alegria, mas tem três que me espelho direto, dois deles eu me espelhava quando estava em Alegrete. Meu irmão Anderson pela humildade, não conheço pessoa mais humilde que ele. É meu exemplo, o outro que me espelho muito e chamo de ídolo embora ele diga que não, mas é de verdade é o Giovane Castilhos, é aquele cara que a cidade toda ama ele, e sem falar que canta muito, sempre tive uma grande admiração por ele e agora que somos amigos isso só aumenta, esse é mito (risos). E no mundo artístico não tem referência maior, tudo que faço foi vendo esse cara e tentando fazer igual que é o Xandy de Pilares, esse é o meu maior ídolo, que já tive a honra de conhecer ele. Agora só falta cantar e versar como o “homi” (risos).
Portal: A vida de músico não é fácil. Já consegue viver só dessa profissão ?
Daniel: Meu amigo não é fácil não, eu vivo da música, só que para conseguir chegar nesse estágio de poder dizer que vivo só dela, eu tive que levar minha música para outros caminhos com já havia dito, dando aulas, no projeto do MOV, e também no carnaval que tem uma grande importância na minha vida e me abriu várias portas para novos caminhos. Tem muita gente que não enxerga isso como profissão, até seus próprios amigos e familiares. O que a gente passa direto aquela velha pergunta, O que você faz da vida ? Eu sou músico. Tá mas de profissão, o que você faz ? Isso é verdadeiro, tapa na cara, mas eu não me deixo abalar, eu nasci pra fazer isso, embora desagrade alguns eu sigo trabalhando. Claro que se você depender de viver só fazendo shows, em alguns lugares é muito difícil, não sendo uma banda consagrada, ou com algum investidor é difícil mesmo, pela desvalorização que as pessoas tem com os músicos, o engraçado disso é que tudo sobe, valor de ingresso, valor da bebida. Só o cachê dos músicos que não pode subir, porque se sobe aí é aquele “choro”. Não é fácil só que eu cansei de ficar só reclamando e decidi fazer alguma coisa com a minha música. Hoje estou feliz fazendo o que eu amo e tomara que se Deus me permitir, eu quero ainda continuar fazendo isso por muito tempo, música é o alimento da alma, música é alegria e somos porta vozes da alegria então respeitem isso.
Portal: Recentemente se mudou para outra cidade, outro Estado. Grupo novo como está o trabalho ?
Daniel: Então, hoje estou em Santa Catarina, na cidade de Itajaí. Uma cidade que respira samba, o que foi muito bom pra mim, quando eu cheguei aqui eu já estava em um projeto chamado Samba lá d’casa, uma rapaziada que faz um samba muito bom, mas eles estavam recém voltando com o projeto e ainda não haviam se firmado. Foi quando apareceu outro grupo em minha vida, o qual eu faço parte hoje, Grupo Klimasamba. Eu já conhecia o vocalista, ele é de Caxias do Sul, e por sinal somos em 7 no grupo e tem 5 gaúchos. Então já cheguei praticamente familiarizado. Rapaziada de responsa que faz um som de primeira e eu fui muito bem recebido por eles. O trabalho deles é maravilhoso, os meninos são bem requisitados aqui, e eu tive muita sorte de logo no primeiro mês chegar aqui e já aderir nesse projeto. A “vibe” do Klimasamba é praticamente o que fazia em Alegrete com o Nosso Stylo, aquele samba irreverente, e com muita alegria, eles se identificaram logo de cara com meu jeito de trabalhar e hoje faço parte dessa família, inclusive a galera pode acompanhar pelas redes social o grupo Klimasamba.
Portal: E o Tok Sensual ficou eternizado. Vem festa aí de novo ?
Daniel: Eu sempre me emociono de verdade em falar de Tok Sensual, já me passa um filme na cabeça, porque era uma época diferente, naquela época o samba estava em alta na cidade, tinha pagode em todos os lugares de Alegrete, e o ToK foi a minha verdadeira escola para música, aprendi tudo ali. O verdadeiro significado de um grupo unido, de amizade verdadeira, de musicalidade. Inclusive o vocalista Roberto, o qual sou eternamente grato. Dia 13 de outubro, teremos a festa de 16 anos de Tok Sensual, nossa vai ser bom demais.
Portal: Quais os planos para o restante do ano ?
Daniel: Bom seguir aqui com o com projeto do grupo Klimasamba, estamos com um projeto de fazer um samba nosso, o evento ser nosso e isso não é fácil, mas estamos em andamento com esse projeto. E também gravar um EP com 5 músicas para expandir o trabalho de um novo material. E também poder fazer um trabalho solo, que é uma coisa que adoro fazer, tocar em bar, acústicos de voz e violão para tocar de tudo. Eu adoro muito fazer isso. Poder viajar, adoro, conhecer novos lugares, poder sempre levar meu trabalho, minha música a novos lugares.
Portal: Qual o sonho do Daniel como músico ?
Daniel: Meu sonho. Meu amigo, ainda tenho vários a realizar se Deus me permitir. Mas o que quero de verdade é poder chegar aos grandes centros do samba, e chegar lá com minha música. Eu falo de Rio de Janeiro e São Paulo, eu sou muito confiante, sempre acreditei no meu talento, acredito sim que tenho capacidade de chegar lá, não é fácil, e não digo em ser famoso não é isso, mas poder trabalhar lá onde tudo acontece. E digo mais, não surpreendam se meu próximo destino for, ir para o Rio de Janeiro de vez. Eu e meu eterno presidente Rafael Faraco, meu grande amigo e posso dizer padrinho também. Esse sempre fala para eu ir de uma vez para lá, tem uma coisa que ele sempre brinca e me fala, tenho três ídolos, Cartola, Paulinho da Viola e Daniel Rodrigues (risos).
 Portal: Qual a mensagem que tu deixa para o pessoal que está no caminho do samba e pagode em Alegrete ?
Daniel: Bom aos que estão iniciando, meus amigos não é fácil, o começo é o mais difícil de tudo, porque vai ter muita gente falando para você desistir, e que isso não é vida e tal, mas se for o que você deseja mesmo fazer na vida, siga em frente, aprenda com as críticas. Eu sempre fui criticado, mas mesmo assim não deixei e nunca vou deixar de fazer o que gosto. Estudem música isso é muito importante, hoje em Alegrete temos grandes professores de músicas para facilitar nossas vidas, vou citar dois: Kiko Bragamonte e Felipi Coelho, dois grandes músicos e amigos. Eles vão facilitar demais suas vidas e foi aí dica. E o mais importante que eu aprendi, foi tocando por aí afora, sejam ecléticos no samba, agradar todos os públicos, procurem tocar de tudo do “velho” ao novo. Nunca desistir, o mestre Serginho Meriti me disse uma vez e nunca vou esquecer isso. As vezes queremos desistir porque achamos que não vai chegar a hora, só que as coisas não acontecem no tempo que a gente quer, elas acontecem no tempo em que Deus quer.
Portal: Qual a música que tu mais curte e se confunde com teu estilo. Aquela que não pode faltar no repertório ?
DanielPergunta difícil (risos). Uma música não teria como eu te responder na verdade são cinco que não pode faltar no meu repertório. Primeira é Sorriso Negro da saudosa Dona Ivone Lara essa é hino, Lucidez de Jorge e Cléber Augusto, Conselho de Almir Guineto, Deixa A Vida Me Levar de Zeca Pagodinho letra de Serginho Meriti e para encerrar com chave de ouro, a música que sempre falo nos shows. Essa é a nossa música e que todo mundo se abraça e as vezes até choram muito, a Amizade do Fundo de Quintal, essas aí meu amigo não podem faltar de jeito nenhum no repertório, até pelos significados que tem cada uma dessas letras aí, desses sambas eternizados.
Júlio Cesar Santos                                    Fotos: Acervo pessoal

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