Alegretense Guilherme Doka: da gineteada, um esporte e estilo de vida

…”De à cavalo na verdade vim pra o mundo sou da lida;
Desvenda, sorta cavalo;
Coiceia, corcoveando;
Essa sim é minha vida;
Não me assusta teu bufido escarvando na mangueira;
Parido xucro de berço, beirando um rio de fronteira;
Me largaram corcoveando;
Nas mãos da velha partera…”, os versos da música Sorta Cavalo do Grupo Rodeio se mistura com o estilo de vida de um jovem alegretense.
Guilherme Maurilio de Souza, mais conhecido na lida por Doka, é um autêntico ginete da Fronteira Oeste do RS.
Seu Argemiro, o vó Doka incentivou o guri desde os 8 anos, a andar a cavalo. Da vida na campanha, Guilherme veio para cidade e cresceu no Bairro Progresso. Menino obediente da vó Dona Naci e filho de Fátima Maurilio, cultivou as tradições desde pequenino.
Hoje aos 27 anos, coleciona muitos títulos em rodeios e história para contar.
Com 12 anos, já desfilava em pleno dia 20 de setembro, hábito que cultiva até hoje.
Relembra de quando ganhou o Rodeio no Durasnal pela primeira vez, muitos falaram que era sorte de iniciante. Mas ele não desistiu, seguiu em frente. Aprendeu a ginetear até em vaca, modalidade que busca aperfeiçoamento.
A participação em rodeios na modalidade em pelo, forjou um ginete sem medo de montar cavalos ariscos, sem doma alguma.
Um convite de um amigo e colega da escola, foi o início de grandes gineteadas. Experimentou animais da famosa tropilha Guabiju.  No Rincão da Palma, Doka firmou o braço, como ele mesmo fala, a cada salto do cavalo que pula a quase um metro do chão. 
Após cumprir o período militar no Exército em 2011, Guilherme voltou ao rodeio do Oswaldo Aranha.
Em 2012, Guilherme Doka foi no Rodeio do La Campana, logo na classificatória pegou a égua Charrua, conhecida da tropilha Guabiju. “Ela já tinha me derrubado em um treino, dessa vez parei ela e fui para final”, comemora o ginete.
Entre os finalistas, no sorteio pegou outra égua da tropilha, uma das melhores que tinha só uma parada de Rafael Safons. 
“Novamente dei sorte e parei em cima do lombo”, comemorou. Resultado, uma baita nota, na somatória Doka campeão do La Campana. 
“Com toda dificuldade, eu fui o campeão. Para mim foi melhor rodeio de todos que já disputei”, sorri Doka.
Em 2013, veio o tricampeonato na pista do Durasnal, festa no Oswaldo Aranha. “Dei sorte de novo, e ganhei a 24ª edição do renomado rodeio”, relembra Doka.
Em 2014, na Campereada de Alegrete obteve classificação entre os 10 melhores. 
Novamente topou com um cavalo (Carancho), da tropilha Guabiju, infelizmente acabou caindo e saiu da disputa na semifinal.
No ano seguinte, top 10, no sorteio égua Cherenga da Guabiju, passou e ficou entre os cinco finalistas.
“Aí realizei um sonho que tinha desde criança”, revela o alegretense. Na final da Campereada, Doka pegou a égua Santa Eulália e depois de três pulos não aguentou o traquejo da Santa. 
Atualmente Guilherme trabalha na empresa Pilecco, e a vontade era de ir mais aos rodeios, mas o trabalho ocupa a maior parte do tempo.
Com apoio da família, do incentivo dos pais, Doka monta por esporte, o vício bom como ele aprendeu com o já falecido vô Doka. 
“Meu avô sempre vivia falando -Doka lombo de cavalo não é fácil, não facilita”, Guilherme recorda com um sorriso que logo respondia ao vô:
“Deixa pra mim vô. Escoro o primeiro pulo, se não me derrubar, o relho pega”. 
O último título do ginete Doka foi em setembro de 2017, campeão abaixo de chuva do 5º Rodeio Universitário de Alegrete.
Nesta quarta-feira (7), Guilherme completa mais uma primavera. Talvez o melhor presente seja um convide para um rodeio, é assim que Doka se sente feliz.
Embora diga que gineteada seja apenas um passatempo na vida deste alegretense que conhece cavalo desde guri.
Por: Júlio Cesar Santos                               Fotos: Acervo Pessoal

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