As lições do professor Sobrosa ao deixar as salas de aula

Uma profissão que ensina todas as outras e que mesmo assim ainda é desvalorizada.

Mais do que passar conhecimentos, ser professor também é sentir os alunos e, acima de tudo, estar inserido em um contexto político e social.

E, um em especial, encerra suas atividades depois de 50 anos ensinando e aprendendo, como disse João Nicanor Prestes Sobrosa que encerra suas atividades em sala de aula, mas nunca a vontade de ensinar .

Formado em Ciências Biológicas pela UFSM, Nicanor iniciou lecionar em 1968 na cidade de São Vicente. Depois foi para Jaguari, onde atuou por seis anos como professor e também foi Secretário de Educação.

Em 1989 ele aportou em Alegrete onde foi professor de Biologia na Escola Estadual Dr Lauro Dornelles. No ano seguinte, Nicanor Sobrosa iniciou ensinar na URCAMP. Primeiro no curso de Administração e depois em Biologia. E só na Universidade ficou 28 anos como professor e  e ajudou a formar muitas turmas de novos Biólogos. Aqui também foi Secretário de Educação e Prefeito.

-Nestes 50 anos aprendi que qualquer professor não pode ficar só entre os muros das escolas e, acima de tudo entender o contexto político e social do país. E antes de ser professor, somos humanos e devemos entender nossos alunos como pessoas que têm problemas e vontades como qualquer um.

-Mesmo sendo pouco valorizados como classe, somos o poder de formação e mudanças. E, para isso, acredita que a categoria precisa interagir com a sociedade, como sempre fez.

Sobrosa diz que os professores são um ente social muito forte e não valorizam a educação, porque seríamos e podemos ser os protagonistas de mudanças. E qual político gostaria disso e de perder mordomias de anos, destaca. Outro ponto que coloca é que também carecem de representantes políticos da classe que os defenda nos parlamentos maiores.

Quanto à Bilogia, é uma paixão de vida, fala o calmo professor, que alerta para os grandes problemas que o meio ambiente passa devido a políticas equivocadas e interesses políticos e econômicos. Hoje, relata: o grande desafio é a sustentabilidade para deixarmos um planeta melhor as novas gerações. Ele enfatiza que cada vez mais é preciso educar para que cada um, mesmo que aos pouquinhos, ajude o nosso meio ambiente. Sem ele vamos todos penar  com a poluição, falta de água  ou excesso dela em algumas regiões.

– As pessoas deviam conhecer e entender essas questões porque mexe com a vida de todo mundo e o que vejo é desinformação, pessoas pensando como se o que acontece um pouco longe de nós não vai nos afetar”. A fiscalização, acredita que deve ser mais rígida, porque a terra, os mananciais de água,  de árvores  e os animais são patrimônios e devem ser cuidados e preservados.

Plantar uma árvore e cuidá-la, para o professor Sobrosa, já é um gesto grandioso E quem puder que cultive a sua hortinha, isso realmente é ser chique e diferente.

Ex alunos mostraram o quanto Nicanor Sobrosa foi importante enquanto estudavam Biologia na faculdade.

-Quando foi meu professor de faculdade e depois como colega de profissão sempre nos mostrou que gostava muito do que fazia, se mostrava interessado a nos ajudar, sempre gostou de sair a campo para pesquisa quando era possível, quando solicitado para fazer alguma fala sempre estava disposto e de boa vontade a colaborou muito para  ampliar nossos conhecimentos, disse a professora Clariani Rocha.

Outro que foi seu aluno e hoje também ensina é William Medeiros que disse que o professor Nicanor é um grande ser humano, apaixonado pela profissão e muito ensinou a mim e a meus colegas de turma , enquanto  cursávamos Ciências Biológicas na Urcamp.

Vera  Soares Pedroso

Fotos arquivos pessoais

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