Audiência Pública sugere o fim da Rumo em Alegrete

Na tarde desta sexta-feira (12), foi realizada mais uma audiência pública para tratar da regularização dos imóveis assentados sobre áreas da União, às margens da malha férrea.

O encontro durou mais de três horas e contou com a participação da comunidade. A Audiência proposta pelo Deputado Eduardo Loureiro (PDT), obteve parecer positivo da comissão da Assembleia Legislativa em março de 2019.

Com presença de autoridades municipais, estaduais e federais, os trabalhos no plenário Gaspar Cardoso Paines debateram o impasse que coloca em xeque a moradia de milhares de gaúchos que vivem há décadas às margens dos trilhos da ferrovia gerida pela empresa RUMO.

O Deputado Federal Afonso Motta, cumprindo extensa agenda no município participou do início dos trabalhos. Se disse entusiasmado e motivado pelas demandas elencadas pelos alegretenses. Destacou a importância que a malha ferroviária exerceu na cidade e por sua localização estratégica merece uma solução urgente para minimizar a situação daqueles que residem próximos à ferrovia,

O Secretário Jesse Trindade, representou o prefeito Márcio que está em Brasília. Disse que a prefeitura está atenta ao processo e vai contribuir na defesa dos direitos dos moradores.

Já o Vereador Moisés Fontoura, proponente em ambito local da audiência, mencionou a luta e esforço de todos. Considerou o momento oportuno para assegurar os direitos humanos no que concerne ao direito à moradia. O Presidente da Câmara Cléo Trindade, enfatizou a preocupação de todos com o desfecho dessa situação. Ressaltou a importância de união em busca dos direitos à moradia.

O Defensor Público da União, Atanásio Darcy Lucero Junior, se mostrou favorável à causa. Atento à questão judicial, falou da preocupação dos moradores beira-trilho. Se comprometeu a acompanhar o caso até o final.

A Unipampa apresentou um projeto sobre viabilidade de uso e exploração da malha ferroviária nas áreas de transporte coletivo e turístico. A explanação do professor Leandro Girardi, encantou a todos. O estudo da universidade citou os 8 km de ferrovia na área urbana, cruzando por 18 bairros.

Segundo apontou o projeto, 60% da população reside nas proximidades dos trilhos da linha férrea. Durante a apresentação foi sugerido o transporte coletivo, turístico e até para transportar os resíduos de lixo para o aterro sanitário. O ponto alto do projeto, destacou uma possível linha de trem passageiro com 12 estações dentro do perímetro urbano. A linha da Avenida Ibicuí ao Cemitério, seria uma alternativa aliada ao transporte feito por linhas de ônibus.

O deputado Eduardo Loureiro, presidiu a audiência e ouviu atento as ponderações do público presente. Falas de indignação, apreensão e protestos foram disparadas do plenário. A ex-prefeita de Cacequi Mariangela Mendonça, hoje integrante do Conselho dos Direitos das Mulheres de Alegrete, citou a luta que travou quando gestora daquele município. Citou o desenvolvimento regional com a pujança dos trens de cargas percorrendo a região.

O líder comunitário Ênio Santos, um dos ativistas para usar o espaço como forma de moradia, lazer e até usar os trilhos como via de ligação entre o Bairro Vila Nova e o Centro da cidade, falou em alto e bom tom. Revelou casos de estupros, drogadição e poluição no recinto ferroviário.

Do Conselho Municipal de Habitação, o líder comunitário Caca enfatizou o momento de união por garantia do direito à moradia. O ex-prefeito Adão Faraco, relembrou que quando foi presidente dos trens urbanos de Porto Alegre. Na época travou uma luta com moradores beira trilhos, e graças a uma ação na esfera federal conseguir indenizar, realocando as famílias em outra área determinada pela prefeitura da capital. “Continuei na luta, o direito à moradia é primordial”, finalizou o alegretense.

A vereadora Maria do Horto (PT), fez questão de salientar que a comissão lute para garantir os direitos dos moradores. Saudou o deputado Afonso Motta, pelo trabalho que vem realizando em prol do município e pela postura firme e ética em Brasília.

Do PDT, Antônio Monteiro, bradou que está do lado da comunidade. Não abre mão para uma empresa que se quer compareceu à audiência. Terminou sua fala com um bordão em forma de trocadilho: Rumo toma seu rumo”.

As considerações finais feitas pelo deputado Eduardo Loureiro, reiteraram o compromisso na luta, acompanhando o processo. Solicitou a formação de um grupo de trabalho local, formando uma comissão. Loureiro disse que Alegrete está incluído na pauta junto com a cidade de Cruz Alta.

Nos próximos dias uma reunião deve dar novos rumos para a situação. O parlamentar citou que Alegrete a questão seja mais fácil de resolver, uma vez que em outras oportunidades a empresa confirmou que não há o interesse em operar na região.

Finalizou a audiência reafirmando o compromisso de encaminhar as demandas de Alegrete, já na audiência com a câmara de concessão em Cruz Alta.

Júlio Cesar Santos

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