Bares e restaurantes apostam no Carnaval, mas nada de euforia

O Carnaval deste ano promete ser positivo para o setor de bares e restaurantes, com 69% dos empresários projetando aumento no faturamento em relação ao ano passado.

No entanto, mesmo diante de um cenário otimista, a maioria dos estabelecimentos optará por uma postura conservadora: 66% afirmam que não vão contratar funcionários temporários e trabalharão com o quadro atual de colaboradores.

Para Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, essa cautela reflete um agravamento da situação financeira dos negócios no início deste ano. “Os resultados da nossa pesquisa mostraram que, em janeiro, o número de empresas operando em prejuízo cresceu, assim como a taxa de endividamento. Com isso, é natural que os empresários optem por segurar gastos para evitar riscos e tentar maximizar os lucros durante o Carnaval”, explica.

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Após dezembro positivo, situação financeira piora em janeiro

Uma pesquisa realizada pela Abrasel revela que a situação financeira das empresas se agravou no início deste ano. Em dezembro de 2024, 18% dos estabelecimentos operavam com prejuízo, percentual que subiu para 25% em janeiro de 2025. O número de empresas operando com lucro também caiu, indo de 44% para 36%, enquanto aquelas que conseguiram manter o equilíbrio financeiro oscilaram de 37% para 38%.

“O aumento no número de empresas operando no vermelho é um alerta, especialmente com os custos operacionais cada vez mais elevados. Muitos empresários têm enfrentado dificuldades para ajustar suas finanças de maneira eficaz, e o foco no Carnaval será justamente tentar equilibrar esse cenário desafiador”, afirma Solmucci.

Inflação e endividamento refletem contenção de gastos

Além da baixa intenção de contratação temporária para o Carnaval, os empresários também demonstram cautela em relação ao primeiro semestre de 2025. Segundo a pesquisa, 65% pretendem manter o quadro atual de empregados até junho, enquanto apenas 19% preveem aumento na equipe e 16% consideram reduzi-la.

Outro desafio enfrentado pelo setor é o reajuste de preços do cardápio. Com o aumento nos custos operacionais, 32% das empresas relatam que não estão conseguindo repassar os valores ao consumidor. Outros 36% conseguiram reajustar os preços apenas para acompanhar a inflação, enquanto 23% os aumentaram abaixo desse índice.

A pesquisa também apontou que o nível de endividamento segue alto entre os estabelecimentos. Cerca de 40% das empresas têm pagamentos em atraso, sendo os principais débitos relacionados a impostos federais (67%), estaduais (46%) e empréstimos bancários (39%).

Fonte: Abrasel

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