BM inicia buscas por soldado que fugiu da prisão

Maiquel de Almeida Guilherme está condenado após assalto a farmácia e latrocínio que vitimou ex-chefe do DOI-Codi

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Brigada Militar está mobilizada à procura do soldado Maiquel de Almeida Guilherme, 33 anos, condenado a 29 anos e 11 meses de cadeia por assalto a uma farmácia e pelo latrocínio (roubo com morte) que vitimou o coronel da reserva do Exército Julio Miguel Molinas Dias, 78 anos, em novembro de 2012. A vítima tinha sido comandante do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) no Rio de Janeiro, nos anos 1980.

Maiquel estava recolhido desde 18 de dezembro de 2012 no Presídio Militar, em Porto Alegre, de onde escapou na noite de sexta-feira por uma janela do refeitório, aproveitando o momento em que ocorria um culto religioso no local.

O PM foi visto pela última vez no jantar, às 19h. A fuga foi percebida por volta das 22h, horário da conferência dos presos e constatado que ele tinha sumido. O PM teria arrombando portas e pulado o muro externo, onde, provavelmente, um carro o esperava.

Há fortes suspeitas de que foi planejada. O Presídio é bem guarnecido, dentro do terreno do Batalhão de Operações Especiais, no bairro Partenon, mas ninguém teria testemunhado a escapada.

O comando-geral da BM determinou a abertura de um Inquérito-policial Militar (IPM)para apurar a fuga que é conduzido pelo tenente-coronel Arlindo Marques, comandante da BM no Vale do Sinos. A investigação visa esclarecer o que provocou a falha na segurança que pode teria sido por omissão ou facilitação. Na madrugada de sábado 13 pessoas prestaram depoimentos, entre PMs presos, quatro PMs que estavam na guarda e o que entrega a comida.

Assim que a fuga foi confirmada, um alerta geral foi repassado a todas unidades da BM com a foto de Maiquel, em especial para unidades de fronteiras. Há uma preocupação de que o PM se esconda no Uruguai. Um dos informes recomenda cuidados especiais em uma eventual abordagem ao PM, pois se trata de um homem perigoso.

Maiquel ingressou na BM em 2009 e trabalhava no 11º Batalhão de Polícia Militar, na zona norte de Porto Alegre, até ser preso com o colega Denys Pereira da Silva, 25 anos, sob acusação de participarem da morte de Molinas e do assalto a uma filial da farmácia Panvel, ambos crimes cometidos na região onde eram pagos pelo Estado para prestar segurança à comunidade.

Em novembro de 2013, Maiquel e Denys tinham sido condenados, respectivamente, a 22 anos e 10 meses e 23 anos de prisão pela morte de Molinas. Em 7 de novembro passado, Maiquel foi condenado a sete anos e um mês de cadeia e Denys a seis anos e 10 meses de prisão pelo assalto à farmácia. Maiquel, por ter mais de cinco anos na BM, responde a um procedimento chamado de Conselho de Disciplina, que pode levar a expulsão dele da corporação. Denys, com menos tempo de serviço, já foi excluído e transferido para o Presídio Central de Porto Alegre.

Relembre o caso

Os policiais militares Denys Pereira da Silva, 24 anos (à época), e Maiquel de Almeida Guilherme, 33 anos, foram condenados pela Justiça gaúcha pela morte do coronel de reserva do Exército Júlio Miguel Molina Dias, 78 anos. O crime ocorreu após um assalto frustrado, em 1º de novembro de 2012.

Ex-chefe do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), no Rio de Janeiro, o oficial guardava em casa um tesouro histórico: uma pasta com 200 folhas, a maioria com timbre do Ministério do Exército, continha o registro de entrada do ex-deputado federal, engenheiro civil e empresário paulista Rubens Paiva, no DOI-Codi. A passagem dele pelo centro de tortura jamais foi admitida pelas Forças Armadas.

Nos documentos de Molinas também constavam manobras militares para encobrir o atentado à bomba no Riocentro, protagonizado por homens de serviço de espionagem do Exército, em 1981.

Fonte: Zero Hora

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