
Jessica relatou que seu filho Raul começou a apresentar febre na tarde de segunda-feira, 11 de novembro. Na madrugada seguinte, devido ao aumento da temperatura, ela o levou à UPA, onde ele foi atendido e medicado. O bebê recebeu uma prescrição de paracetamol e dipirona, para dar continuidade ao tratamento em casa após a febre baixar. Na noite de terça-feira, a febre subiu novamente, chegando a quase 39°C, e Jessica retornou à UPA, onde Raul foi reavaliado e recebeu nova medicação. Durante essa segunda consulta, foram prescritos os medicamentos Predsin, Allegra e Aturgyl. Ao buscar os medicamentos, Jessica foi alertada por atendentes de farmácia de que o Aturgyl não deveria ser indicado para bebês e, por precaução, substituiu-o por Salsep.
Gente de Alegrete que desbrava horizontes longe de casa
Após a administração dos medicamentos, Raul adormeceu e Jessica também descansou. Na manhã de quarta-feira, por volta das 7h, ela notou que o bebê estava frio e aparentava continuar dormindo. Jessica tentou contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), mas, devido a problemas nas linhas, não conseguiu completar a ligação. Acionou então a Brigada Militar, que enviou uma viatura até a sua residência no bairro Ibirapuitã. Raul foi rapidamente levado à Santa Casa de Alegrete, onde passaram a realizar procedimentos de reanimação, mas o bebê não respondeu e o óbito foi confirmado.
A doutoranda Anielle Lisboa é um inspirador exemplo a ser seguido
Jessica, acompanhada da madrinha do bebê, Jessi da Rosa, solicitou que fosse realizada a necropsia para esclarecer as circunstâncias da morte de Raul, pois como é padrão, quando não há sinais de violência a certidão de óbito é feita como causas naturais. Ela afirma que Raul não apresentava problemas de saúde antes do início da febre, e a gestação havia transcorrido de forma tranquila. A progenitora ressaltou que seu filho mais velho, Gael, de três anos, também esteve na UPA durante o primeiro atendimento do bebê, tendo passado por exames de raio-X, nebulização e recebido medicação, em uma consulta que ocorreu com um médico diferente do que atendeu Raul. “Acredito que o que ocorreu com Raul foi negligência pela falta de um raio-X e de uma atenção diferenciada” — disse à reportagem.
A direção da Santa Casa informou que vai emitir uma nota sobre o caso na manhã de quinta-feira. A delegada Fernanda Mendonça deverá se manifestar após a entrega do laudo da necropsia, que vai ocorrer amanhã, de forma oficial.
