Com déficit acima de R$ 1 milhão por mês, Santa Casa de Pelotas tem redução nas cirurgias traumatológicas

Cinquenta pessoas aguardam por uma cirurgia de urgência no hospital, e outros 900 casos menos graves também estão na fila. Coordenadoria Regional de Saúde diz que os repasses vão chegar até o fim do mês.

Com repasses atrasados do Governo do Rio Grande do Sul aos setores de traumatologia das Santas Casas do estado chegam a R$ 60 milhões, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. Única instituição a realizar cirurgias traumatológicas no Sul do estado, a Santa Casa de Pelotas teve uma redução no número de procedimentos devido à falta de recursos, e enfrenta um déficit que passa de R$ 1 milhão por mês.

A cada semana, 20 cirurgias são realizadas por semana na instituição, enquanto o ideal seria pelo menos o dobro. Cinquenta pessoas aguardam por uma cirurgia de urgência, e outros 900 casos menos graves também estão na fila. O hospital atribui a redução no número de procedimentos cirúrgicos à situação financeira do hospital.

O provedor da Santa Casa de Pelotas, Lauro Melo, afirma que os atrasos nos repasses de dinheiro do governo do estado são os principais fatores para o acúmulo de cirurgias. “Esse atraso está vindo desde outubro de 2017. Agora nós tivemos um repasse de março que só foi pago no início de junho, ou seja, já passou de 60 [dias] e o de abril permanece atrasado, já passou dos 30 dias de atraso”, afirma Melo.

A Coordenadoria Regional de Saúde diz que os repasses vão chegar até o fim do mês. “Hoje nós temos atrasos em incentivos estaduais no mês de abril que já venceu e nós ainda não pagamos. E temos uma previsão de quitar esses incentivos do mês de abril no dia 29 de junho”, diz o coordenador regional Gabriel Andina.

Angústia de pacientes e familiares

Ainda assim, não há prazo para que o funcionamento do setor de traumatologia seja normalizado. A situação causa angústia em pacientes e familiares. A mãe de Marta Helena Mendes espera há mais de um mês por uma cirurgia, após cair em casa e fraturar o fêmur. Nesse período, teve outra queda, dentro do próprio hospital.

“Meu irmão estava com ela, e o que aconteceu foi que ela caiu da cama, acabou quebrando o fêmur da outra perna e a situação se agravou. Queremos fazer a cirurgia”, diz a filha, preocupada com a demora.

A dona de casa Pâmela Santos conta que perdeu o pai, que tinha 61 anos, devido a uma infecção causada pela espera por uma cirurgia na instituição. “Deu infecção generalizada nele, ele teve embolia pulmonar, tudo devido à espera”, conta.

Pâmela chora ao imaginar como seria se a cirurgia tivesse sido realizada a tempo. “Talvez teria uma chance, talvez teria dado tempo dele se recuperar, de não ter agravado tanto como agravou”, cogita. “Não deram essa chance a ele”, lamenta.

Fonte: G1

 

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