Com violão e sua bike, argentina há mais de três anos longe de casa, passa por Alegrete


Depois de três anos e meio sem ver a família, a argentina Natalia Alarcon, 28 anos, volta para casa pedalando sua bike.

Desde nova, conta a tranquila ciclista, “eu sentia que viajar, colocar uma mochila nas costas devia ser muito bom”. A jovem que tocava na Orquestra Estudantil de Buenos Aires, aliou a música e a vontade de conhecer lugares.

No dia 14, ela passou em Alegrete e contou um pouco dessa história de estradas, conviver com inúmeras pessoas, conhecer infinitos lugares. Aqui na região, em Rosário do Sul foi recepcionada pelo grupo de pedal, Amigos da Bike, em Alegrete pelo Trilha Aventura que providenciou alojamento a Nati. E às 10h deste dia 15 seguiu em direção a Uruguaiana onde será acolhida pelo grupo Pedal Brutalidade.

E neste tempo, longe de casa andou pelo Chile, Bolívia e o Brasil. E para se manter ela toca e canta onde é acolhida.

Pedalar foi um hábito que introduziu em sua vida, quando conheceu uma galera na Bolívia onde viveu por oito meses e ganhou uma bike de presente de um amigo.

A corajosa e confiante argentina, pedala de 80 a 90 km por dia e avalia que em todas estas cruzadas se cercou de pessoas acolhedoras que a ajudaram muito.

– As pessoas são iguais em todas as partes do mundo, tem os mesmos problemas e a diferença é como encaram viver.”

Sobre os medos que enfrenta enquanto pedala, Nati diz que uma vez pegou uma chuvarada no Maranhão e outra em que sofreu uma tentativa de assalto em Belém. – E medos vem para que a gente os enfrente, diz com muita calma”.

Todas estas andanças a ciclista e música comenta que serviram para ela se conhecer mais, sentir, buscar o equilíbrio e saber que é possível viver e ser feliz sem muita coisa- dizendo que a natureza nos concede tudo o que precisamos para viver.

Bem segura de sua concepção de mundo, entende que o sistema estabelecido está errado e por isso tantos problemas no mundo. “As pessoas tem que entender que não devemos viver pelo que a mídia diz como certo, seguir esteriótipos. Conhecer a si mesmo e ter amor por nossa pessoa é determinante para enfrentarmos essa existência, considera.”

Antes de seguir viagem para Uruguaiana e de lá para casa, ela diz que o que não faz falta a ela é luxo e consumir. Nati, já com lágrimas nos olhos avisa que ninguém em sua casa sabe que está retornando e sente que vão chorar muito, juntos, quando chegar, ao lar, em Buenos Aires.

Vera Soares Pedroso

 

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