Comunidade realiza inúmeras ações solidárias para devolver a visão de Flavinha

“Não imaginei que minha filha seria acolhida dessa forma. É muita demonstração de amor, carinho e generosidade”. Esse foi o relato emocionado de Daniela Bitencourt Rossi, mãe da pequena Flavia Bitencourt Rossi, conhecida como Flavinha.

Aos sete anos, a alegretense está sendo muito guerreira e valente ao enfrentar um problema grave de saúde que acabou afetando a visão. Nesta idade em que inicia a descoberta da leitura, tantos desafios diários e o desejo de sanar todas as curiosidades do universo infantil, Flavinha teve que sair da escola. O motivo foi porque ela já estava com a visão comprometida e acabou sofrendo bullying ao ter dificuldade na leitura, um dos prazeres da valente Flavinha.

Daniela concedeu uma entrevista ao PAT e contou o que aconteceu com a caçula. Flavinha foi diagnosticada com reumatismo, uma doença pouco comum nessa idade e de diagnóstico complicado. Com o tratamento para as dores, durante às crises agudas, o medicamento afetou a visão, provocando uma uveíte no olho direito. Em 15 dias a pequena e angelical Flavinha perdeu a visão daquele olho e a infecção começou a atingir o esquerdo.

Neste período em que Flavinha começou a perder a visão, os pais percorreram vários médicos. Daniela salienta que alguns eram especialistas, mas não eram cirurgiões, outros eram oftalmos pediatras, mas não eram especialistas no caso e assim foi uma verdadeira peregrinação até que chegaram na médica que é tudo o que a pequena precisa:especialista, pediatra e cirurgiã. O impasse começou quando Daniela soube do valor do procedimento, cerca de 14 mil reais. Para os pais, um valor alto, mas que saíram à luta para conseguir o mais rápido possível. Dessa forma, Flavinha tem chances de voltar a enxergar. A catarata que formou nos dois olhos a deixaram momentaneamente cega.

Doações e a solidariedade

Assim que algumas pessoas ficaram sabendo do problema começaram a se mobilizar. Com isso, Flavinha ganhou um cavalo e uma ovelha.

A família fez uma rifa e colocou em pontos estratégicos. Toda renda é em prol da cirurgia. Quem adquirir o número no valor de 2 reais vai concorrer ao cavalo, já a pessoa responsável pela venda da rifa concorre a ovelha. Também serão realizadas mais ações como um risoto, no sacolão do Beto, neste domingo (18). Além de um louvorzão no bairro Capão do Angico, no dia 25 de dezembro. Toda renda da venda de doces será para a cirurgia.

Humanidade e a generosidade de uma criança

Na última semana Flavinha surpreendeu os pais, num de tantos dias difíceis em que ela acaba ficando nostálgica e triste, resolveu que queria cortar o cabelo. A pequena sempre exibiu um cabelão loiro na altura da cintura. Sem contraria-la os pais a levaram até o salão. O surpreendente foi que ao final, ela pediu para que o pai Silvio Rossi, a levasse até a liga para que o cabelo fosse doado em prol das crianças. Quem quiser ajudar pode fazer depósito na conta poupança da Caixa. Ou pode entrar em contato com Daniela Bitencourt Rossi – 55 99984 – 6199.

O reumatismo

É senso comum na população que reumatismo é “doença de gente velha”, porque a limitação articular e as doenças articulares degenerativas que vem com os anos são todas chamadas de reumatismo. No entanto, várias doenças inflamatórias podem acometer as crianças e os adolescentes em qualquer idade: desde os bebês até a adolescência. Criança pode sim ter doenças reumáticas. A demora no reconhecimento destas patologias leva ao atraso no diagnóstico e, consequentemente, ao início do tratamento. Isso pode levar a deformidades crônicas das articulações causando dificuldade para brincar e correr e até mesmo para fazer as atividades da vida diária, como vestir-se ou amarrar os sapatos. Além de todas as consequências emocionais e sociais que estas limitações podem acarretar.

A artrite idiopática juvenil (AIJ) é a mais comum destas doenças. A AIJ é uma doença crônica, que pode comprometer uma ou várias articulações por mais de 6 semanas, com início antes dos 16 anos. Além da dor e da limitação, a criança apresenta inchaço nas juntas, que podem ficar quentes e vermelhas. Com o passar do tempo, se o processo inflamatório não é contido, podem vir as deformidades. As crianças com este tipo de doença reumática geralmente sentem dificuldade em levantar pela manhã, devido à dor e à rigidez das articulações, o que costuma melhorar com banho quente e/ou no decorrer do dia. Além da inflamação das articulações, estas crianças podem também ter inflamação nos olhos (uveíte), que será diagnosticada por um oftalmologista. O paciente deve ser avaliado e acompanhado pelo reumatologista infantil e tratado com remédios e fisioterapia.

Embora nem toda dor nos braços e nas pernas signifique que a criança está doente, é preciso fazer o diagnóstico diferencial. Ela pode ter dor porque está fazendo atividade física excessiva, porque é sedentária e quando faz exercícios tem dor, porque usa sandálias de salto ou outro calçado inadequado, porque está em situação de estresse emocional, porque fica por tempo prolongado em posição errada (por exemplo, quando joga videogame em cima da cama), porque caiu e nem se lembra, etc.

Por outro lado, além da AIJ e de outras doenças reumáticas, a criança com dores nas pernas, nos braços ou nas costas pode ter outras doenças, que precisam ser diagnosticadas corretamente para que possam ser tratadas.

No Quadro 1 estão alguns sinais de alerta. Caso seu filho apresente algum deles, procure o pediatra que o acompanha e, se necessário, o reumatologista pediátrico. No Quadro 2 você encontra as doenças que os reumatologistas pediátricos acompanham.

Quadro 1 – Sinais de alerta
• Inchaço em qualquer articulação
• Dor persistente
• Dor logo de manhã quando acorda
• Dor que acorda a criança no meio da noite
• Dor localizada em um ponto
• Dor acompanhada de outros sinais e sintomas, como: febre, emagrecimento, indisposição
• Limitação para andar (a criança manca) ou para brincar, subir escadas
• Dor nas costas

Quadro 2 – Doenças acompanhadas na reumatologia pediátrica
• Artrite idiopática Juvenil
• Febre reumática
• Lupus eritematoso sistêmico
• Dermatomiosite
• Esclerodermia
• Vasculites
• Osteoporose
• Fibromialgia
• Dor em membros (“dor de crescimento”)
• Doenças autoinflamatórias

Flaviane Favero

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