Crianças e jovens da periferia de Bagé descobrem novas possibilidades de futuro com aulas de música

Projeto social de orquestra jovem apresenta a música clássica para estudantes de escolas públicas e ainda pretende promover palestras com profissionais de diversas áreas para orientar carreiras.

O objetivo do projeto social Orquestra Jovem do Pampa não é formar músicos profissionais. Mas proporcionar a inclusão de crianças e jovens da periferia através de uma formação ampla, proporcionada pela música. Segundo o idealizador do projeto e maestro da orquestra, Joab Muniz, estudos apontam que a música melhora o desenvolvimento cognitivo de estudantes que têm a oportunidade de estudar e executar peças musicais.

“E algo também muito importante para a vida deles, como um todo, é o trabalho em equipe que nós desenvolvemos. Por ser uma orquestra existe esse trabalho em equipe, desenvolvido de uma maneira muito forte, porque numa orquestra um depende do outro, se um errar todos perdem, na realidade”, diz o maestro.

Crianças aprendem música em projeto social de Bagé — Foto: Reprodução/RBS TV

Crianças aprendem música em projeto social de Bagé — Foto: Reprodução/RBS TV

Além disso, a ideia é promover, a partir deste mês de outubro, palestras com profissionais de diversas áreas para orientar os alunos na hora de escolher uma carreira.

O projeto comporta 50 alunos. O número é limitado pela quantidade de instrumentos que disponibiliza e pelos recursos que consegue angariar através da Associação Amigos da Orquestra Jovem do Pampa, utilizados para o pagamento de professores e manutenção dos instrumentos.

A Orquestra existe desde 2013, e desde então mais de 200 alunos já passaram pelo projeto.

Em poucos meses de aulas, as crianças conseguem executar algumas músicas e até participar de apresentações. Para muitos, é um sonho fazer parte do grupo.

“É a realização de um sonho”, diz a aluna Jenifer Gonçalves, de 14 anos. “Antes de chegar aqui eu pensei que a gente ia ficar na teoria, ou então que eu ia conseguir tirar algum tipo de som muito tempo depois. E perceber que as minhas mãos conseguem fazer alguma coisa, já produzem algum tipo de som, é muita felicidade”, completa. Ela começou as aulas há menos de três meses, e toca violoncelo.

Emellyn aprendeu a tocar violino no projeto — Foto: Reprodução/RBS TV

Emellyn aprendeu a tocar violino no projeto — Foto: Reprodução/RBS TV

Para a Emellyn dos Santos Feijó, estar no projeto é um sonho um pouco mais antigo. Quando tinha 4 anos, ela assistiu a uma reportagem na televisão sobre jovens que participavam de uma orquestra, e disse para a mãe que queria tocar violino.

Cinco anos depois, o maestro levou alguns estudantes da orquestra Jovem do Pampa até a escola dela para uma apresentação, e para sortear uma vaga entre os alunos. Ela não tinha a idade mínima exigida para participar do sorteio. Mas a vontade de tentar não acabou e ela procurou as aulas de música com uma amiga, disse que queria participar, e conseguiu ficar no grupo.

“‘Que legal!’ Foi o que eu consegui dizer na hora. Mas por dentro de mim era muito mais do que isso que eu sentia. Eu estava explodindo de felicidade”, conta a menina de 9 anos, relembrando o momento em que o maestro contou que ela podia ficar nas aulas.

Orquestra Jovem do Pampa, de Bagé — Foto: Arte/RBS TV

Orquestra Jovem do Pampa, de Bagé — Foto: Arte/RBS TV

Fonte: G1

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