Escolas de Santa Maria contam com grupo de Whatsapp para denunciar ocorrências à BM


21 escolas das regiões leste, centro-leste e de dois distritos da cidade fazem parte da iniciativa


Foto: Charles Guerra (Diário)
Escola Estadual Naura Teixeira, em Camobi, é uma das instituições que contam com a ronda policial

Mais um exemplo de segurança comunitária está tomando forma nas regiões centro-leste e leste de Santa Maria. A Patrulha Escola Segura surgiu de outra iniciativa nascida na comunidade: a Associação Camobi Segura, entidade criada por empresários de Camobi para auxiliar os órgãos de segurança pública.

O projeto Patrulha Escola Segura foi implantado no início do ano letivo pelo 3º Batalhão da Brigada Militar, com sede em Camobi, em conjunto com a diretoria de 21 escolas dos bairros Camobi, São José, Pé-de-Plátano e Diácono João Luiz Pozzobon e ainda dos distritos de Arroio Grande e Arroio do Só. Uma das ações é o monitoramento feito por uma dupla de policiais da Brigada Militar na porta das escolas para coibir ações como venda e uso de drogas. Seguindo o modelo da Associação Camobi Segura, o projeto compartilha informações de ocorrências em um grupo no aplicativo WhatsApp.

A ronda é feita de motocicleta, de segunda-feira a sábado, durante o dia. Nos distritos, o trabalho ocorre com uma viatura. A ronda da Brigada Militar segue um roteiro, mas também atua quando recebe o chamado das escolas que fazem parte da iniciativa. Se os policiais militares destinados ao patrulhamento estão de folga, a sala de operações do 3º Batalhão recebe as mensagens e atende à ocorrência.

Cada escola tem pelo menos três representantes – geralmente, são os diretores e os vice-diretores de cada turno – que interagem no grupo. Dessa forma, tudo aquilo que se passa entre os muros das instituições tem o suporte da Brigada Militar. Uma das ocorrências mais recorrentes tem sido briga entre alunos. De acordo com a diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Naura Teixeira, Jacqueline Severo, só a presença dos policiais já vem evitando a formação de conflitos. Recentemente, os professores da escola, que fica no Bairro São José, tiveram de fazer o chamado pelo aplicativo depois que um grupo de meninas partiu para a agressão física dentro da sala de aula.

– Avisamos pelo grupo e, em alguns minutos, chegou uma viatura com quatro brigadianos. Eles conseguiram parar o desentendimento – contou a diretora.


Foto: Charles Guerra (Diário)
A diretora Jacqueline Severo recorre ao aplicativo de mensagens para se comunicar com a BM

A situação preocupa a comunidade escolar, já que alguns conflitos entre alunos podem ter consequências bem graves e irreversíveis. Em abril de 2017, o adolescente Gabriel Silveira Medeiros, 14 anos, foi morto a facadas em frente à Escola Estadual de Ensino Fundamental Santa Marta, onde estudava, no Bairro Nova Santa Marta, na Região Oeste. Michel Flores Reichow, 19, que não era aluno da instituição, confessou a autoria. A investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, à época, disse que o crime teve motivação passional.

Aproximação policial permite atacar situações pontuais
Os soldados da Brigada Militar Jeferson da Trindade Garcia e Fabiane Siqueira Altermann, que fazem a ronda no projeto Patrulha Escola Segura, explicam que o patrulhamento é uma das atitudes preventivas à violência nas imediações dos colégios. A novidade é a aproximação da comunidade com a polícia. Para a diretora da Escola Naura Teixeira, Jacqueline Severo, a relação de confiança estabelecida com a dupla gera tranquilidade aos mestres, uma vez que os policiais passam a identificar situações suspeitas com base na informação direta passada pela direção.

– A presença da Brigada acaba expulsando as pessoas mal-intencionadas que ficam ao redor da escola. Às vezes, não sabemos de quem são os carros particulares, o que esses grupos na saída da escola estão fazendo. Basta que a viatura se aproxime, e limpa essa área. Eu brinco com os alunos que tenho um botão embaixo da minha mesa que aciona a polícia. Sabemos que ali fora estamos respaldados – diz Jacqueline.

A Brigada Militar também faz a abordagem educativa na escola por meio do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). O professor Eduardo Pazinato, Coordenador do Núcleo de Segurança Cidadã da Fadisma, reforça a sensação da diretora. Segundo ele, as rondas escolares são uma prática institucional da própria Brigada Militar, mas a aproximação com a sociedade civil faz a diferença.

– Minha sugestão seria que a sociedade civil pensasse em dotar os policiais com inteligência, dados e informações para qualificar a ronda escolar e outras ações sociopedagógicas que poderiam ser tomadas em paralelo – explica Pazinato.

Conforme o capitão Alexandre Pires Lacerda, comandante do 3º Batalhão Batalhão da Brigada Militar, a entrada da BM na Escola Municipal Renato Nocchi Zimmermann, no Beco do Beijo, em Camobi, por meio do Proerd, transformou a recepção dos moradores.
– Antes, uma viatura era recebida a pedradas. Hoje, isso não acontece mais. Não basta só reprimir. Temos de estar lá para cobrar, mas também para ajudar em ações como o combate às drogas e à violência escolar – reflete Lacerda.

Fonte: Diário de Santa Maria

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