Homem com distúrbios psiquiátricos e dependentes químicos passam por situações vexatórias nas ruas

Pessoas acometidas de transtorno mental são asseguradas de direitos e proteção, sem qualquer forma de discriminação. O paciente com transtorno mental tem direito a receber atenção especializada com assistência integral, incluindo serviços médicos, assistência social, psicológica, ocupacional, lazer e outros. Porém, muitas vezes por questões de falta de conhecimento, por ter familiares engajados na causa ou até mesmo porque os próprios pacientes não aceitam tratamentos, muitas pessoas permanecem em estado de vulnerabilidade.

Somente na manhã de quarta-feira(29), três casos distintos, mas que envolvem situações semelhantes, o que pode se dizer que, são casos de saúde pública, foram flagrados. O primeiro foi de um idoso que, segundo os moradores e comerciantes das adjacências, diariamente está na rua. Por diversas vezes os motoristas tiveram que parar os veículos para evitar que ele fosse atropelado. De forma desorientada, ele anda pelas ruas, muitas vezes já foi localizado até mesmo na saída RSC 377. Contudo, na manhã de ontem, ele estava caminhando na Avenida Tiaraju e por volta das 10 h, parou próximo a uma padaria e sem a “menor noção” baixou a calça e fez as necessidades em via pública. Depois de um tempo, ainda com as calças pelo joelho, pegou um pano para fazer a higiene. Com isso passou cerca de 20 minutos e o homem exposto. Neste período algumas pessoas que passavam filmaram ou tiraram fotos, mas nenhum órgão foi acionado. “Esta não é a primeira vez que ele fica nesta situação, sempre está pelas ruas, parece ter algum problema, porém, nunca vi alguém com ele ou que tenha algum auxílio. Aqui, as pessoas o conhecem porque ele está passando todos os dias e sempre estamos alertando quanto aos carros, ele anda no meio da rua sem o mínimo cuidado. O que chamou atenção foi a exposição que alguns indivíduos o colocaram. Já é um absurdo o que ele está fazendo por conta dos distúrbios e ainda param para filmar e fotografar como se fosse algo que pudesse auxiliá-lo” – argumentou.

Pouco tempo depois, a Brigada Militar, através do Policiamento Comunitário Zona Leste, foi acionada. O motivo era de um homem conhecido da guarnição. Dependente químico, o acusado fica em frente aos estabelecimentos comerciais e intimida as pessoas pedindo dinheiro ou “mexendo” com mulheres que passam pelo local. Este é um fato recorrente em que ele usa de artimanhas para conseguir subtrair valores e assim sustentar o vício da droga.

Na mesma manhã, um comerciante que preferiu não se identificar, falou à reportagem que uma mulher estava sentada ao lado do estabelecimento comercial. “Ela estava fora de si, parecia estar em abstinência da droga. Os olhos arregalados e colocava as mãos e dedos na boca. Era algo muito assustador. Depois tentou pular o muro de uma residência e como não conseguiu passou a pedir dinheiro para os transeuntes.” – descreveu.

Esses três casos aconteceram na Zona Leste e num curto espaço de tempo. O que ficou evidente nestas situaçõs é a necessidade de um auxílio mais efetivo quanto às pessoas com necessidades especiais, tanto com problemas de saúde( neurológicos), e dependentes químicos. O número cada vez mais crescente de dependentes se reflete diretamente em outros crimes. São três casos distintos, mas que aos olhos dos moradores daquela região necessitam de uma ajuda assistencial para que o pior não aconteça. No caso do idoso, ele poderá ser atropelado ou dos dependentes químicos evoluir para crimes como roubos e outros.

Em Alegrete há três serviços para assistências como CAPS, CAPS AD, CAPS I. “Mesmo que não haja o entendimento das pessoas de que necessitam de ajuda, em alguns casos acredito que deviria ter uma internação, mesmo que compulsória” -falou um empresário.

Em contato com Miro Oliveira, diretor e assistente social, no CAPSII, ele esclareceu que o índice em Alegrete é muito grande de pessoas com problemas psiquiátricos. É um desafio diário conseguir administrar e atender a todos, em alguns casos os familiares os deixam à mercê e a cargo, somente dos CAPS” – explicou.

Miro diz que em caso como o relatado, do senhor que estava em situação vexatória, isso é caracterizado como surto. As pessoas devem acionar o 192, e neste caso a regulação vai orientar e, se for o caso, somos acionados. Mas o correto é sempre que uma pessoa estiver colocando em risco a sua própria vida ou de outros indivíduos,  o SAMU deve ser acionado. Isso vale para os casos de drogadição e  problemas psiquiátricos.

“Casos de vulnerabilidade, constrangimentos, drogadição, alcoolismo que estejam colocando em risco a vida da pessoa, o correto é o SAMU (192). Eles têm o suporte da Brigada Militar” – concluiu.

Flaviane Favero

 

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3 Comentários

  1. Um absurdo não haver clínicas de tratamento para dependentes químicos!
    O nosso Brasil deveria investir mais nessa área…existem muitos jovens se acabando com a droga…que leva até a loucura!Tá na hora de acordar Brasil!A DROGA É MALDITA!

  2. É uma vergonha mesmo você paga um absurdo de impostos e quando as pessoas precisam dos órgãos públicos cadê???O ser humano sofrendo descaso enquanto q os políticos acabando com o nosso dinheiro ao invés de investir em políticas públicas, tá na hora de mudar BRASIL

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