Incidência de sífilis deu um salto no ano passado em Alegrete

Sífilis é uma doença antiga, mas está cada dia mais atual diante da incidências de casos registrados. O Brasil está vivendo uma epidemia. Em Alegrete a preocupação e os casos não são diferentes e não devem passar despercebidos. Somente no último, ano 109 pessoas passaram por tratamento no município. Os dados mais alarmantes são quanto às gestantes, 42, conforme a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Juliana Michael.

Porém no ano de 2015, 20 casos entre as gestantes foram registrados, em 2016, 24, mantendo o mesmo número em 2017, entretanto em 2018 foram 42 casos.

A sífilis é contraída por relação sexual, explica Juliana, e se um bebê for infectado ainda no útero, a mulher pode abortar ou a criança nascer com todo o tipo de mal formação congênita, alerta.

A coordenadora disse que o número é preocupante e alerta para que as pessoas fiquem atentas aos sintomas, pois quanto mais cedo começar o tratamento, menor a chance de complicações, que podem ser graves.

Em 2015, o Rio Grande do Sul, registrou 10.286 notificações de sífilis adquirida, em 2018 foram 15.633 notificações. O teste rápido para detecção de sífilis está disponível em todas as ESFs do município e no SAE. A medicação para o tratamento da sífilis é fornecida no SAE, mediante prescrição médica.

O tratamento é feito através de injeções de penicilina, mesmo nos dias atuais, o mais indicado e eficiente. A cura é total. O uso de preservativos ainda é a forma mais eficaz de prevenção. Muitos por acreditarem que tem cura e medicação para a doença dispensam o uso de preservativo e isso é preocupante, diz a enfermeira

A sífilis se desenvolve em 3 estágios, geralmente consecutivos: primário, secundário e terciário. Vamos entender.

Sífilis Primária: de 3 a 90 dias (média de 21 dias) após o contágio surgem lesões como pequenas feridas, inicialmente de cor rósea, que evoluem para um vermelho intenso com fundo esbranquiçado, como se fosse uma “afta”. Esta lesão se chama “cancro duro”. Geralmente é única e não dói. Nos homens, esta lesão surge geralmente no pênis, muitas vezes na região próxima ao canal da uretra. Nas mulheres, pode aparecer nos grande lábios, na parede vaginal ou no colo do útero. Aí é que está um dos problemas: como não dói, muitas mulheres não a percebem.

O contato geralmente acontece pela relação sexual; por isso pode também haver lesões isoladas na boca, língua, mucosa anal ou na região mamária. Geralmente aparecem gânglios aumentados perto do local da lesão, o que pode ser uma dica de que algo não está bem. Importante saber que esta lesão da sífilis, o cancro duro, desaparece espontaneamente, independentemente de tratamento, sem deixar cicatriz, em mais ou menos 4 ou 5 semanas. Este é outro problema: as pessoas julgam que estão curadas, mas a doença está evoluindo de forma silenciosa para a segunda fase.

Sífilis secundária: depois de um período de latência, sem sintomas, que pode variar de 6 a 8 semanas, a doença entra de novo em atividade. Isso significa que a bactéria causadora, chamada Treponema pallidum,  atingiu internamente outros órgãos e sistemas. A pele é intensamente atingida. Surgem lesões rosadas, em formas de pápulas, que podem atingir toda a superfície do corpo.

A palma das mãos e planta dos pés são caracteristicamente acometidas. Algumas destas lesões, dependendo das condições, podem conter a bactéria e ser contagiosas em circunstâncias especiais. A fase secundária pode evoluir com surtos de atividade e períodos de latência, sem sintomas. Algumas pessoas conseguem se curar no período de latência, mas outras evoluem para a fase seguinte e mais grave de todas.

Sífilis Terciária: neste estágio, órgãos e sistemas são acometidos como o sistema nervoso central, sistema cardiovascular, pele, músculos, ossos ou fígado, por exemplo. O sintomas são graves e vão depender da região atingida. Importante saber que todo este caminho de progressão da sífilis pode durar muitos anos – até 30-  para se completar.

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