Motoristas e pedestres não respeitam normas da faixa de segurança em Alegrete


Todo mundo sabe para que servem as faixas de pedestre, placas e sinais. Mas, nas ruas, o que se vê é muito desrespeito.

A grande maioria dos motoristas diz “sim” e garante que respeita às leis de trânsito e, acima de tudo, os pedestres. Mas bastou uma conferida rápida no trânsito central do município e o que se vê é bem diferente.

Cenas mostram que, em uma situação em que o pedestre e o motorista queriam passar pelo mesmo local ao mesmo tempo, poucos motoristas respeitaram a prioridade dos pedestres.

Cada esquina tem seu jeito próprio de ser, mas todas têm seus embates entre veículos e pedestres. Em um cruzamento, os carros vêm de várias direções. Os pedestres se aventuram no risco da travessia.

A reportagem do Portal Alegrete Tudo registrou as faixas de segurança em torno do eixo central. Início da tarde da última sexta-feira (8), um dia depois de uma pedestre ser atropelada em cima de uma faixa na praça central.

Na Rua Mariz e Barros, a faixa com lombada foi recuada da esquina com a Tamandaré. O perigo é que a maioria dos pedestres cruza na sinalização antiga. Poucos caminham até a local indicado para travessia. O fluxo é grande de veículos, inclusive alguns estacionam em cima da faixa.

Perto dali, na Praça Getúlio Vargas, esquina com a José Bonifácio, outro “problemão”. Pedestres insistem em cruzar numa faixa extinta. O cruzamento certo é arriscado. Pedestres precisam contar com a boa vontade de motoristas. Não há sinaleira no local, algumas pessoas se arriscam em meio aos carros.

Na esquinas das farmácias, subida da Barão do Amazonas, duas sinaleiras de pedestres regulam o fluxo dos carros. Algumas pessoas não aguardam o sinal verde e se aventuram num cruzamento perigoso. Outros esperam o sinal vermelho para os carros e cruzam. O problema é que muitos motoristas não estão respeitando o tempo de travessia dos pedestres.

Na frente do Palácio Rui Ramos, a faixa é bastante usada por pedestres. Ali motoristas respeitam bem mais que em outros locais apurados pela reportagem. Em alguns momentos pedestres cruzam a rua fora da faixa.

Na esquina do Quiosque, outro ponto vulnerável. A faixa de segurança existe e pedestres cruzam a todo momento. O movimento de carros em velocidade acima do permitido assusta pedestres que ficam indecisivos para transpor a via.

Na faixa entre o calçadão e a praça, um festival de imprudência. A cada 10 pedestres, um aperta o botão. Pedestres cruzam em grupo o sinal aberto para os carros. Não diferente a da esquina com a Gaspar Martins.

A faixa em frente a Igreja Matriz, revela outro problema. Pedestres têm de desafiar o cruzamento da sinaleira. Motoristas que vão contornar a praça dificilmente respeitam a faixa. Já os que descem a Dr. Quintana obedecem as regras. Na faixa da Vasco Alves o trânsito é regulado pela sinaleira para veículos.

Na Andradas, a faixa na primeira quadra, no cruzamento com a Vinte de Setembro é emblemática. Poucos pedestres se arriscam a cruzar na faixa. Aqueles que preferem usar, correm o risco diário de serem atropelados. Dificilmente os motoristas atendem para o dispositivo de segurança. Nas demais passagens de pedestres, o trânsito até melhora entre pedestres e motoristas.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) ao longo de seus 20 anos, tenta mediar a circulação de veículos automotores, veículos não motorizados e pedestres de forma a minimizar riscos de acidentes.

Usuários do trânsito travam diariamente uma batalha por espaço, e para que os conflitos sejam evitados, a legislação precisa ser cumprida.

Quando se fala em faixa de segurança, o CTB rege que os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as faixas delimitadas para esse fim, terão prioridade de passagem. Porém os pedestres não têm preferência absoluta como muitos pensam.

Nos locais com sinalização semafórica, onde o sinal luminoso determina a preferência de passagem, alternando a oportunidade entre veículos e pedestres, ambos precisam respeitar a ordem de preferência determinada pelo equipamento.

Em 2015, o município de Alegrete deu inicio à instalação dos novos semáforos e implantou em determinados locais, sinalização de advertência orientando o pedestre a obedecer ao sinal a eles destinado.

O desrespeito às normas de circulação e condutaAinda é frequente por parte de condutores e pedestres, porém, deve-se sempre levar em consideração o artigo 29, parágrafo 2º do CTB que institui uma ordem de responsabilidade no trânsito, estabelecendo que os veículos de maior porte são responsáveis  pela segurança dos veículos de menor porte. Veículos motorizados e não motorizados, todos são responsáveis pela segurança dos pedestres.

Para um condutor de 51 anos, falta respeito no trânsito. “Acho que o respeito deve ser recíproco. Sempre paro na faixa, porém, acho que muitos pedestres  não respeitam. Às vezes estão a 5 metros da faixa de segurança mas passam fora e se o condutor não para eles xingam. Tem também  aqueles que atravessam de bike ou no celular sem pressa alguma” disse.

Já um motorista de 25 anos, diz que muitos pedestres são desatentos. “Pedestre não presta atenção na faixa, muitas vezes baixa a cabeça e se limita ao celular, aumentando o tempo de travessia e atrapalhando o trânsito. O que mais se vê é pedestre atravessando fora da faixa”.

No entanto, pedestres opinam sobre o assunto. Para um trabalhador autônomo de 42 anos, o pedestre é mais imprudente que o motorista. “Nunca fui desrespeitado na faixa de segurança, mas acho que o pedestre também tem que ter bom senso. Vejo mais imprudências por parte dos pedestres do que pelos motoristas” disse.

Um jovem de 17 anos, diz que acontece muito de condutores estacionar sobre as faixas de segurança.  “Ontem quando ia para casa, um carro estava estacionado em cima da faixa de segurança, creio que por motivo da falta de vagas de estacionamento na rua, porém, prejudicou muito os pedestres já que o carro ficou lá por horas e estava muito frio.

Para uma dona de casa de 36 anos, os motoristas não respeitam a faixa de segurança. “A maioria não respeita. Todo motorista sabe para que servem as faixas, placas e sinalização, mas infelizmente o que se vê nas ruas de Alegrete é desrespeito.  Como ando muito a pé, sempre ensinei meu filho a atravessar na faixa de pedestre,e respeitar, porém, na maioria das vezes o que escutamos é xingamento e ofensas como se a gente fosse errado. Acho que muitos motoristas deveriam refazer sua habilitação e aprender a respeitar as sinalizações. Infelizmente alguns motoristas se acham donos da razão”, salientou.

De acordo com um levantamento junto à Guarda Municipal de Trânsito, são poucas as infrações por desrespeito a norma. Para o Órgão, a baixa no efetivo dificulta uma fiscalização mais rígida.

Quanto a acidentes na faixa de pedestres, agentes salientam que são poucos os casos. A colisão traseira, quando o condutor para na faixa e por descuido ou desatenção, ocorre a colisão. Por outro lado, pedestres avançam a faixa e ficam suscetíveis a atropelamento.

Júlio Cesar Santos

 

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