MP vai pedir análise de exames pré-câncer de todas as Unidades Básicas de Saúde de Pelotas

Resultado de 196 lâminas examinadas em uma UBS foi divulgado no dia 15 de fevereiro, e foi encontrada apenas uma alteração. Promotora esclareceu que não serão analisadas as 17 mil lâminas que foram recolhidas.

A promotora de Justiça Rosely de Azevedo Lopes informou, na tarde desta terça-feira (19), que o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) vai pedir ao Instituto-Geral de Perícias novas análises de amostras de exames de prevenção do câncer do colo do útero, em todas as Unidades Básicas de Saúde de Pelotas, no Sul do estado.

investigação sobre supostas irregularidades em resultados de exames pré-câncer na cidade gaúcha é realizada desde 2018, a partir de uma denúncia de que o laboratório responsável por fazer os exames citopatológicos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do município estaria realizando os resultados por amostragem, em vez de analisar todos os laudos.

No total, 17 mil lâminas foram recolhidas do laboratório investigado, em julho do ano passado, referente a exames de 2014 a 2018.

“Vamos entrar em contato com o IGP para ver uma forma de realizar esses exames nas UBS existentes em Pelotas. Não faremos a análise de 17 mil lâminas, será por amostragem. Nós não temos equipe para isso, nem o IGP tem estrutura. A partir daí teremos uma visão maior para concluir o inquérito”, explica a promotora.

Inicialmente, foram examinadas 196 lâminas de pacientes da UBS Bom Jesus, de onde partiram as denúncias.

Laudo do IGP foi entregue ao MP-RS na quinta-feira (14) — Foto: Reprodução

Laudo do IGP foi entregue ao MP-RS na quinta-feira (14) — Foto: Reprodução

“É uma região de grande vulnerabilidade, de grande miserabilidade, onde as pessoas efetivamente não procuram o tratamento adequado, muitas vezes não procuram a própria UBS. Quer porque não têm vontade, quer porque têm desconhecimento da necessidade de realizar exames preventivos”, diz Rosely.

Dessas 196 lâminas, apenas uma teve resultado diferente do apresentado pelo laboratório SEG – Serviços Especializados de Ginecologia. A “taxa de discordância” encontrada foi de 0,51%. O laudo aponta que o número está dentro dos limites de segurança, previstos no Manual de Citologia do Ministério da Saúde, elaborado pelo INCA.

“Os exames de 2017 e 2018, da Bom Jesus, nós solicitamos prioridade ao IGP. O resultado, dentro da medicina, da literatura médica, está muito abaixo do que é esperado. A medicina diz que é de 20% a 30% a possibilidade de erros. Pelo menos até o presente momento, evidentemente, não houve nenhum exame realizado por amostragem”, analisa a promotora.

Rosely disse que foram solicitadas ao IGP análises dos exames de 2017 e 2018, e não de anos anteriores, por opção. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre ficou responsável por analisar outras duas mil lâminas.

A prefeita municipal, Paula Mascarenhas (PSDB), foi intimada para prestar depoimento novamente, dentro da investigação.Além disso, ainda serão colhidos os depoimentos de duas médicas e uma enfermeira da UBS Bom Jesus.

Rosely afirma que a apuração por parte do MP continua, e pode levar de seis meses a um ano. “Não há conclusão, o inquérito não será encerrado só porque houve essa perícia preliminar.”

  • G1

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