No Dia do Trabalhador Rural; pouca coisa para comemorar

Muitas vezes desrespeitado e desvalorizado, o trabalhador rural comemora a data de hoje com certa apreenssão.

Embora amparado na Lei nº 5.889/73, regulamentada pelo Decreto nº 73.626/74 e presente no artigo 7º da Constituição Federal/88, o trabalhador rural enfrenta inúmeras dificuldades para manter-se no campo, dignamente.

Parte desta situação é histórica. Para pesquisadores, o processo de colonização por qual passamos influenciou, em parte, a relação entre o homem da cidade e o homem do campo. A busca pela riqueza em nosso país, naquela época, fez crescer a exploração da mão de obra (indígena num primeiro momento e escravo de origem africana num segundo período).

Hoje o retrato do trabalhador rural não é muito diferente. Basta ir para o interior do município e ver de perto a triste situação do trabalhador rural.

Segundo a pecuarista Gabriela Cezimbra, o maior problema enfrentado pela classe é o êxodo rural. “O desinteresse pela vida campesina pode ser facilmente observado ao analisar o movimento do jovem, que tem cada vez mais acesso à educação técnica, que é pouco voltada ao dia-a-dia do campo”, analisa a advogada rural.

Por outro lado, outro ambiente do trabalho rural se desenvolveu no país, o do Agronegócio. Este novo cenário, surgiu junto com o bom desempenho econômico aliado ao desenvolvimento tecnológico, que ampliou a capacidade de produção e exportação no campo.

Apesar do abismo econômico e social existente entre esses dois “mundos”, a essência do trabalhador rural e a forma com que ele busca lutar para viver dignamente é a mesma, seja aqui ou nos cantos esquecidos do restante do país.

O trabalhador rural é um importante personagem fiel as suas raízes e tradições do que é o homem do campo no Brasil. Seu valor humano e histórico é, sem dúvida, essencial para firmarmos uma de nossas inúmeras identidades e valores.

Êxodo rural é termo historicamente reconhecido, pelo qual se designa o abandono do campo em busca de melhores condições de vida no meio urbano.  Tal fenômeno vem sido verificado já há muitos anos, e não parece estar sendo revertido.

O produtor e trabalhador rural Cícero Peres Pereira, que mora no Rincão de São Miguel preza a vida no campo. Ele entende que, os filhos de produtores precisam sair de casa para estudarem, mas se faz necessário o trabalho e a vida na propriedade rural.

“Os jovens querem estudar, querem evoluir, como em qualquer outro lugar do mundo. E as oportunidades ofertadas dentro da lógica educacional, geralmente não incluem a produção rural”, comenta Cícero.

É a partir daí que o êxodo rural cresce assustadoramente. Hoje existem propriedades abandonadas no interior de Alegrete. Falta mão de obra, o trabalhador rural está escassos e consequentemente reduz drasticamente a vida no campo.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alegrete, Jesus Alzir Dorneles, homenageia todos os trabalhadores rurais do município pelo seu dia. Trabalhadores e trabalhadoras rurais, por sua coragem incansável na luta do dia a dia, e que não se curvam diante das dificuldades, do sol abrasador, da chuva, que muitas vezes colocam sua segurança em risco ao lidar com ferramentas e máquinas.

Júlio Cesar Santos

 

 

 

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2 Comentários

  1. Bela e importante reportagem. Muito temos que fazer para o campo ser um lugar bom para viver e construir família. Deu vontade de sentar, conversar com o autor e tomar uns mates.

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