‘Nossa preocupação maior é trazer o corpo’, diz padrasto de estudante da UFRGS morto na China

Morte do intercambista Leonardo Cláudio da Rosa, de 23 anos, foi comunicada pela UFRGS e pelo Itamaraty na segunda-feira (15). Autoridades chinesas falam na possibilidade de suicídio, mas família diz não acreditar que esse tenha sido o motivo da morte.

A família do estudante gaúcho Leonardo Cláudio da Rosa, que foi encontrado morto na cidade de Chongqing, na China, está tentando trazer o corpo ao Brasil. A morte foi divulgada na segunda-feira (15) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), instituição em que o jovem cursava Letras.

O padrasto de Leonardo, Mário Amaral Teixeira, de 49 anos, disse que a família está fazendo de tudo para trazer o corpo e que ainda não se tem muitas informações sobre a causa da morte.

“Nossa preocupação maior é trazer o corpo dele de lá. Como a China toca em cima dessa possibilidade de ter sido um suicídio, do qual a gente não acredita porque a felicidade dele era muito grande, até porque ele tinha renovado o visto para ficar mais um ano lá. Há uns 10, 15 dias, no máximo. E ele tinha um apego muito grande conosco, principalmente com a mãe, que ele não deixaria de avisar se ele fosse fazer uma coisa dessas”, afirma.

O estudante de Letras fazia um intercâmbio em Pequim desde agosto de 2018. Ele viajou mais de 18 mil km para estudar chinês. O padrasto contou que o enteado estava de férias em Chongqing. O namorado de Leonardo, que é brasileiro, estava visitando o companheiro.

“Ele filmava tudo pra nós, mandava. Porque, assim, o curso dele era em Pequim, e ele estava em uma cidade a 1,5 mil km porque ele estava de férias lá, ele pegou o trem bala e foi visitar. Estava só felicidade”, conta.

Na segunda pela manhã, o namorado de Leonardo ligou para a família do jovem e contou sobre a morte.

“Ele que nos trouxe todas essas informações do que aconteceu. Ele está por lá mobilizando o pessoal. Ele tem as mesmas informações que a polícia nos passa. Que ele [Leonardo] tinha saído com os amigos e não voltou. O namorado tinha ficado no hotel. Ele é um cara que a gente confia 200% nele”, afirma o padrasto.

Mário conta que as informações da polícia chinesa são passadas para a embaixada, que repassa para a família. Mas ainda há muitos dados desencontrados.

“Claro que a gente quer a verdade, quer saber o que realmente aconteceu. Lá, dizem que foi isso, que ele teria pulado de um prédio. Só que eles não passam para nós que prédio foi, que andar foi, que local foi, a gente não tem essas informações. Mas, assim, neste momento, o mais importante pra nós é a gente trazer o corpo de lá”.

“Disseram que ele foi levado para o hospital com vida, depois disseram que encontraram ele morto, depois disseram que ele estava a 4 km no hotel”, acrescenta Mário.

O padrasto relatou que a esposa dele encaminhou uma procuração para poder fazer a liberação do corpo.

“O que consta parece, que nos deram assim, uma informação, é que se constar como suicídio parece que ele perde os valores que seriam desse translado”, conta. “Já nos perguntaram se a gente ia abrir uma vaquinha virtual e tal, não, porque a gente ainda quer tentar fazer o máximo possível para pegar esses direitos que ele tinha”.

Mário contou que a família não descarta, mas também, não afirma que Leonardo tenha sido vítima de um crime homofóbico porque o jovem não relatava sofrer homofobia onde morava.

“Esse que é o nosso fato principal. Desenrolar para vir esse corpo pra cá. A gente precisa disso. E ela [a mãe] está desesperada por isso. A gente fica com as mãos amarradas”, afirma Mário.

Leonardo teve a morte confirmada pela universidade e pelo Itamaray na segunda-feira (15) — Foto: Gustavo Diehl/UFRGS

Leonardo teve a morte confirmada pela universidade e pelo Itamaray na segunda-feira (15) — Foto: Gustavo Diehl/UFRGS

‘Pessoa muito querida por todos’

Mário é padrasto de Leonardo desde quando o jovem tinha 4 anos. Ele conta que o enteado era um “aluno dedicado, querido e muito inteligente” e “uma pessoa muito querida por todos”.

“Ele era muito bem visto. Não existe alguém que não gostasse dele. Ele é um rapaz que quando entrou no colégio já foi para a segunda série. Quando ele estudou no Instituto Federal, ele foi um dos primeiros colocados. Ele falava várias línguas, francês, inglês, dava aula de inglês lá, espanhol, mandarim”.

“O guri foi para lá com todos os méritos. Ele estudou, ele se esforçou, ele foi reconhecido. Ele tinha uma dedicação com esse Instituto Confúcio. Ele amava isso que ele fazia. Então, não pode simplesmente a pessoa ir para um lugar custeado por esse pessoal, e aí acontece algo lá, aí ‘vamos lavar as mãos, não podemos fazer nada’. Não é assim que funciona”, afirma Mário.

A família pretende fazer uma cerimônia quando o corpo chegar ao Brasil.

“Ainda tem todo esse movimento de chegada. Acredito que quando o corpo chegar, ele pediu para ser cremado, a gente vai fazer uma cerimônia e vai vir muita gente. Tem gente se mobilizando pra vir da China pra cá”, conta o padrasto.

Fonte: G1

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