Pescanha; um encontro recheado de trago, comilança e amizade no Capivari

Uma turma de amigos, no meio de um mato de eucalipto, à beira de uma barragem durante três dias bebendo e comendo.

Assim se define, o encontro que, pelo quinto ano consecutivo reúne profissionais liberais, jovens e idosos todos os finais de ano em Alegrete.

A Pescanha nasceu a partir do encontro dos amigos Diego Vezzosi (Paçoca), Márcio Palharin (Batata), Márcio Adriano (Gringo) e Márcio Jardim (Cafumango). O trio costumava reunir grupos de amigos para pescarias pelo interior do município por meados de 2001.

Surgiu então o sugestivo nome: Pescanha. E é assim que no final de semana antes do natal eles ficam “enclausurados”, por três dias no mato.

O principal objetivo da turma é celebrar a amizade. A ideia foi levada tão ao pé da letra, que tem integrantes de várias cidades, e o evento já chegou em sua quinta edição.

Numa propriedade rural no Capivari, eles acampam para “bebemorar” o encerramento do ano. “Mulher não entra na porteira”, grita um dos integrantes da Pescanha.

A reportagem do Portal Alegrete Tudo foi convidada pelos organizadores. No segundo dia de encontro, a visita ao acampamento revelou a cuidadosa organização dos pescanheiros.

Logo cedo, um banho de barragem para curar os males. Daí em diante os 400 litros de chopp, refrigerante e água mineral são o combustível da turma que emenda o dia proseando, comendo, bebendo, tocando e cantando.

Ali é proibido rádio, TV ou algum tipo de aparelho eletrônico. Somente o celular é usado para enviar foto e falar com a família. Eles querem mesmo é conversar, jogar um truco e contar histórias.

Certo ano, uma mulher se aproximou da porteira. Foi levar uma muda de roupa para o marido, que tinha solicitado. Com apenas uma muda de roupa ele não resistiu ao segundo dia do encontro. É um arsenal de estórias e mentiras que acabam virando folclore entre os amigos.

Em 2013, foram 39 homens na pioneira Pescanha. No ano seguinte, 42 participantes. No ano de 2015, 43. Já em 2016 estiveram reunidos 37 convidados e neste 2017, 40 pessoas marcaram presença.

A idade varia. O mais jovem a participar foi o filho de um dos integrantes. Ele tinha 4 anos na edição em que foi levado pelo pai. Neste ano, seu Anilton Rosso de 72 anos era o mais experiente.

A Pescanha não tem fins lucrativos, com um valor estipulado entre os convidados, eles passam na fartura em meio ao mato. O prato principal é o tradicional costelão assado num fogo de chão. O chefe de cozinha, Sidnei da Silveira capricha nos pratos, um arroz com galinha é o cardápio de sábado. Dois panelões regados a muito chopp e música ao vivo fazem o acampamento balançar. Cada um ajuda como pode. Uns picam os ingredientes, outro auxilia o cozinheiro, e por aí vai.

Pescar que nada. Como a época é desfavorável, eles andam de lancha na barragem, tomam banho para se refrescar e se divertem num lugar aconchegante.

Tal é o espírito de camaradagem, que um dos participantes já comemorou o dia do seu aniversário por dois anos seguidos no acampamento.

O assador oficial Diogo Paçoca adianta que o churrasco vai ser bagual. Ninguém duvida. Ele leva uma fama de expert no assunto.

Com camisetas alusivas ao evento, um caneco de alumínio com alça para não perder o “armamento”, eles consumiram 150 litros só no primeiro dia.

O restante do consumo ainda não foi divulgado pelos organizadores. Foi a primeira edição que a Pescanha recebeu patrocínio. Um grupo de empresas ajudou no custeio com os kits.

Amigos de Nova Esperança do Sul, Pelotas, Caxias do Sul, Bagé, Santa Maria, Porto Alegre, Erechim, Uruguaiana, Passo Fundo, Manoel Viana e Alegrete concluíram mais uma Pescanha com êxito.

No Capivari, se reuniram caçadores, pescadores e outros mentirosos numa edição que entrou para a história dos amigos. Aqueles que realmente sabem o significado da palavra, “Pescanha”.

Por: Júlio Cesar Santos         Fotos: Júlio Cesar Santos e reprodução WattsApp Pescanha

 

Compartilhar

Seja o primeiro a comentar

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será divulgado.


*