Professoras constroem muros, buscam água em baldes e transportam alunos para garantir educação em Santa Maria


Professoras, diretoras e alunos se unem para superar desafios e precariedade de estrutura educacional.

Diariamente a situação de falta de estrutura, recursos e funcionários afetam a vida de professores e alunos das escolas no Rio Grande do Sul. Mas em Santa Maria, na Região Central do estado, um grupo de educadores inconformados com a situação, resolveu arregaçar as mangas para mudar essa realidade dando uma verdadeira lição de cidadania para os estudantes.

Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Chácara das Flores, onde estudam 210 alunos as professoras, por exemplo, trabalham nos finais de semana, sem receberem nada por isso.

Um exemplo foi a tela que cercava a escola, que foi roubada pela segunda vez. Ao invés de lamentarem, se organizaram para resolver a situação.

Professoras resolveram construir muros com pneus após roubo de cerca (Foto: Reprodução/RBS TV)

Professoras resolveram construir muros com pneus após roubo de cerca (Foto: Reprodução/RBS TV)

“Não adiantava a gente ficar chorando, dizendo que tinham roubado as nossas cercas. As lágrimas não iam construir muros, né? Mas a força de vontade ia”, conta a coordenadora pedagógica Juliana Conrado.

A ideia seria construir um muro, mas o custo seria elevado. Foi quando as professoras resolveram fazer o reaproveitamento de pneus para o cercamento. Elas saíram em busca de doações, conseguiram comprar arames e tintas, e chamaram todo mundo para ajudar.

“Arregaçamos as mangas e estamos aqui”, conta a mãe de aluna, Gislaine Scalabrin. “Marido, comunidade, pais, amigos… envolvemos todo mundo”, conta a coordenadora pedagógica Juliana.

Os mutirões são realizados aos finais de semana, ou sempre que sobra um tempo.

Em relação ao muro, os pneus foram furados para não acumular água, e quando a instalação e pintura foram concluídas, as professoras devem plantar flores.

Já os muros internos que cercam a pracinha e o pátio foram feitos também de forma sustentável, com garrafas pet que foram arrecadadas no bairro. “Temos que trabalhar em prol das crianças”, afirma a diretora Rejane Freo Dias.

De porta em porta em busca de água

Diretora foi de casa em casa no domingo para coletar baldes de água para limpeza de escola (Foto: Reprodução/RBS TV)

Diretora foi de casa em casa no domingo para coletar baldes de água para limpeza de escola (Foto: Reprodução/RBS TV)

Na Escola Municipal de Ensino Fundamental João da Maia Braga, onde estudam 362 alunos, o problema foi a falta de água. Em uma sexta-feira os alunos os estudantes tiveram que voltar para casa porque não havia água nem para lavar a louça, muito menos para beber.

A estrutura da caixa d’água estava podre, e a prefeitura resolveu tirar o reservatório do local, deixando a escola sem água.

No dia seguinte, a diretora Nívia Terezinha Corrêa voltou à escola decidida a colocar tudo em ordem. “Vim no sábado porque eu queria lavar a louça, dar descarga nos banheiros, mas não tinha água”, conta.

Ela arregaçou as mangas no domingo mesmo, e quando os alunos chegaram para estudar na segunda-feira, tudo estava diferente. Mesmo sem água, ela bateu de porta em porta para encher baldes e fazer a limpeza.

“Eu acompanho, vejo tudo que acontece aqui dentro, e sei do esforço dela e dos professores, e da gente que se torna uma família na escola”, afirma a funcionária Aline Gomes.

Eu acho que é um amor que a gente sente, um carinho. E aí, eu falo e já estou com vontade de chorar, porque a gente se apega”, afirma a diretora Nívia Terezinha Corrêa.

Professoras transportam alunos

Sem transporte do poder público, aluno cego vai à escola e volta para casa de carona com professoras (Foto: Reprodução/RBS TV)

Sem transporte do poder público, aluno cego vai à escola e volta para casa de carona com professoras (Foto: Reprodução/RBS TV)

Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Sérgio Lopes, onde estudam 190 alunos, um estudante deficiente visual dependia de transporte da prefeitura para ir à escola. A licitação só sairia em maio, mas uma professora resolveu ela mesma buscar a criança em casa.

“A professora traz ele no turno da manhã, e eu levo ele para casa no meio dia, porque a gente tinha que garantir que ele viesse para a escola”, afirma a diretora Vanessa Flores.

“Para ele não perder esse período de aulas, para ter o convívio com colegas, o direito à educação, o direito a brincar, de conviver e sonhar”, afirma a professora Ana Caroline Preto.

A Escola Municipal João da Maia Braga ainda está sem caixa d’água, e não há previsão para instalação. A água chega pela tubulação normal, mas a empresa responsável pelo serviço, conforme a prefeitura, ainda não iniciou as obras. A prefeitura informou ainda que já notificou a empresa por duas vezes sobre a falta de documentos exigidos, e que pode rescindir o contrato.

Fonte: G1

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