Projeto da Unipampa: um sonho de mobilidade na linha férrea de Alegrete

Face a situação de abandono da Estação Férrea, um patrimônio da cidade, surge uma esperança para a mobilidade urbana de Alegrete. Um estudo e projeto da Unipampa apontam as possibilidades e oportunidades de uso da linha férrea que passa aqui no Município.

O professor Dr Alessandro Girardi informa que o trabalho evidencia que a cidade de Alegrete é cortada por 8 km de ferrovias ao longo da sua área urbana. São duas linhas: a principal, do trecho Porto Alegre – Uruguaiana, e parte do antigo ramal para Quaraí. Estas linhas estão sem operação há bastante tempo e sua manutenção é precária, com a tendência a se degradar ainda mais nesta situação.

A ferrovia atravessa 18 bairros de Alegrete e aproximadamente 60% da população reside nas suas proximidades. Ela inicia na área industrial, próximo ao Cemitério Municipal, e vai até a Zona Leste, passando bem próximo ao Centro da cidade.

Como não se percebe o interesse da empresa concessionária da ferrovia, a Rumo Logística, em utilizar este trecho da estrada de ferro para fins comerciais de transporte de carga, é imprescindível que este espaço seja ocupado para outras finalidades. -Trata-se de um patrimônio importante para a cidade que hoje pode ser classificado como problema, mas que possui enorme potencial para se tornar solução para o transporte urbano.

Áreas não ocupadas pela população tendem a se tornar degradadas e reduto de marginais, aumentando a criminalidade. Além disso, há também a degradação ambiental com depósitos irregulares de lixo ou outros resíduos.

O trajeto da linha férrea em Alegrete é estratégico do ponto de vista da mobilidade urbana. “Se olharmos o mapa da cidade, ele passa próximo a diversos pontos de interesse, como escolas, universidades, postos de saúde, hospital, quartéis, parques, etc. Por que, então, não utilizá-lo para transporte de passageiros?- questiona o professor

O estudo aponta que atualmente existem tecnologias de veículos leves sobre trilhos (VLTs). É um sistema de transporte que está entre o metrô e o ônibus convencional e cria novas potencialidades de desenvolvimento urbano. Dependendo da tecnologia adotada, um sistema de VLT pode garantir uma flexibilidade quanto à capacidade de transporte de passageiros aqui em Alegrete. Além disso, possui leveza – que propicia menor consumo energético e desgaste da via –, acessibilidade – através do piso baixo e rampa de acesso para cadeiras de rodas – e flexibilidade – com bom desempenho operacional tanto em via exclusivas (desenvolvendo maiores velocidades), como em meio ao tráfego rodoviário urbano com cruzamentos ao nível das ruas. A distribuição de peso por eixo é cerca de 3 a 6 toneladas e pode ser movido com diesel ou eletricidade. Os VLTs são silenciosos, cômodos e harmonizam com o ambiente.

Uma possível linha de VLT em Alegrete teria 10 estações de embarque/desembarque de passageiros. Um trem faria um caminho completo entre uma extremidade e a outra em aproximadamente 30 minutos. As estações precisariam ser construídas ou reformadas (como no caso da Estação Central). Para isso, poderiam ser adotadas parcerias público-privadas através da concessão de áreas nos locais das estações para a exploração comercial. Por se tratar de locais com intenso fluxo de pessoas, passariam a ser interessantes do ponto de vista econômico. Isto faz com que o investimento público seja minimizado, tanto para construção como para manutenção das estações.

Outro aspecto importante do resgate da linha férrea pela cidade de Alegrete é a possibilidade de travessia do rio Ibirapuitã através da ponte férrea, a qual está localizada ao lado da ponte Borges de Medeiros. Em épocas de enchente, como a que ocorreu em janeiro deste ano, a ponte férrea não fica interditada, pois é mais alta, permitindo a circulação dos VLTs e conectando a Zona Leste com o restante da cidade.

CICLOVIAS

Ao longo da ferrovia também há a possibilidade de serem construídas ciclovias e calçadas para pedestres, devolvendo à população um caminho limpo e saudável.

Ao se recuperar a linha férrea, outros serviços também passam a ser viáveis, como a exploração para o turismo. Pequenos veículos sobre trilhos, movidos a pedal, por exemplo, podem ser usados para passeios divertidos, além de serem um ótimo exercício. Trens movidos a energia solar ou mesmo trens históricos podem levar turistas a visitas guiadas através da rica história da cidade ou através das planícies do Pampa. Saindo um pouco da zona urbana, a linha férrea chega à vila do Passo Novo e, logo mais adiante, cruza bem próximo à Ponte de Pedra, símbolo natural do município e de grande interesse turístico.

São várias as possibilidades e oportunidades, as quais podem perfeitamente ser detalhadas e refinadas para a realidade local. O desenvolvimento de um modelo econômico sustentável para a exploração da linha férrea para serviços úteis à população é fundamental para o seu sucesso. Entretanto, o interesse do poder público é fundamental e urgente, pois o patrimônio instalado está próximo do seu limite de utilidade e, se nada for feito, em pouco tempo estará totalmente degradado e inutilizado.

Por:
Alessandro Girardi
Émerson Rizzatti
Dionathan Scheid
Tuani Bernardi

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