Quase 30% dos municípios do RS têm vagas do programa Mais Médicos abertas, diz ministério

Das 1.318 vagas que o estado tem, 262 não foram preenchidas em 140 cidades. Último edital aberto prevê a contratação de 71 profissionais em 53 municípios.

Mais de meio ano depois das mudanças no programa Mais Médicos, pequenas comunidades ainda não conseguiram substituir todos os profissionais cubanos que saíram. Conforme dados do Ministério da Saúde, quase 30% dos municípios gaúchos ainda têm vagas abertas. Dos 1.318 postos que o estado tem, 262 não foram preenchidos em 140 cidades.

O último edital aberto prevê a contratação de 71 profissionais em 53 cidades.

Em Espumoso, cidade do Norte do estado que tem cerca de 15 mil habitantes, uma unidade básica de saúde ficou fechada por seis meses por falta de médicos. O local ficou pronto para funcionamento em dezembro do ano passado, mas começou a atender a população há menos de um mês, devido ao problema.

Formado no Paraguai há três anos, Reywerson Cavalheiro preencheu uma das cinco vagas que o município tem no programa. Mas utras três seguem abertas.

Médico do Paraguai ocupa uma das vagas deixadas por cubanos no Mais Médicos em Espumoso — Foto: Reprodução/RBS TV

Médico do Paraguai ocupa uma das vagas deixadas por cubanos no Mais Médicos em Espumoso — Foto: Reprodução/RBS TV

“Você sair do lugar assim, de um centro e depois ir para uma comunidade menor para atender, você vê coisas que são bem diferentes do dia a dia que a gente estava acostumado a viver. Quando você está fazendo alguma coisa assim, que realmente as pessoas necessitam, a gente sente mais prazer em fazer aquilo”, diz o clínico geral.

“Teríamos que ir até o posto central, que é um pouco longe, pouco afastado. Assim, agora, está bem melhor”, diz a costureira e moradora de Espumoso Cecília Puhl.

No programa, o salário dos médicos é pago pelo governo federal. Sem esses profissionais, o município teve que buscar alternativas.

Hoje, a Prefeitura de Espumoso para mais de R$ 18 mil por mês para apenas um médico que foi contratado de forma emergencial. Esse valor é quase o dobro do que o município gastava para pagar auxílios moradia, alimentação e transporte para os cinco profissionais cubanos que trabalhavam na cidade até o fim do ano passado.

“Acaba que a própria comunidade é penalizada, porque a gente acaba, por muitas vezes, comprando menos exames, liberando menos encaminhamentos para comunidade para poder, então, atender a atenção básica que seria a consulta nas unidades básicas de saúde”, diz a secretária da Saúde de Espumoso, Marileisa Valandro.

“A reposição não ocorre de forma rápida. Se tivesse um edital permanentemente aberto, onde os profissionais também pudessem procurar os próprios municípios para se inscrever, ajudaria muito o acesso da comunidade à saúde”, completa.

O Ministério da Saúde informou que vem mantendo a renovação dos profissionais no programa apenas em cidades mais vulneráveis, e que estendeu o pagamento da verba de custeio para unidades de saúde da família que perderam profissionais do Mais Médicos. Além disso, diz que trabalha na elaboração de um novo programa para ampliar a assistência à rede básica.

Desistências do Mais Médicos

O edital atualmente em andamento foi publicado em 13 de maio. Trata-se da terceira tentativa feita pelo governo federal para preencher as vagas deixadas pelos médicos cubanos quando o país deixou o programa, em novembro de 2018.

Após a saída de Cuba do programa, em novembro, um primeiro chamamento público foi aberto para preencher as 8.517 vagas que foram deixadas. No total, 7.120 vagas foram preenchidas em seguida por médicos formados no Brasil.

Em um novo edital, publicado em dezembro, as 1.397 vagas remanescentes foram oferecidas a médicos brasileiros formados no exterior.

Apesar desse esforço, cerca de 19% dos médicos brasileiros selecionados até o mês de maio desistiram do programa. Dados obtidos pelo G1 junto ao Ministério da Saúde mostram que 1.325 profissionais com registro profissional brasileiro se desligaram do programa até o final de maio.

O número de desistências cresceu 25% em relação ao balanço anterior, que indicava 1.052 médicos desistentes nos três primeiros meses do ano.

Calendário

1ª etapa

  • 19/06 – Publicação do resultado final de médicos para cada município
  • 19 a 21/06 – Confirmação da escolha de vaga
  • 24 a 28/06, até 18h – Apresentação pessoal dos médicos nas cidades em que trabalharão e início das atividades

2ª etapa

  • 02 a 04/07 – Inscrição de brasileiros formados fora do país, que tenham habilitação para exercer a medicina no exterior
  • 05 a 26/07 – Validação dos documentos dos brasileiros descritos acima
  • 29/07 – Publicação preliminar da validação desses médicos
  • 07/08 – Publicação do resultado final
  • 08 e 09/08 – Escolha das vagas
  • 13/08 – Lista com alocação dos médicos

Fonte: G1

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