Rafael Moura: o biólogo alegretense destaque na Antártida


Aos 38 anos, o alegretense Rafael Gomes de Moura, possui muita história para contar. Passou cinco anos trabalhando na Antártida, como pesquisador do Instituto PROANTAR, no lugar considerado o mais frio do Planeta.

Integrou a Estação Brasileira entre os anos de 2009 e 2014. Rafael é biólogo desde 2000, possui mestrado e doutorado na área de biologia. Estudioso e dedicado, o alegretense foi responsável pelo mapeamento, sistema de informação geográfica e monitoramento das 19 ilhas antárticas.

A Antártida é parte integral do sistema ambiental global e um dos principais controladores da circulação atmosférica e oceânica do planeta. A periferia desse continente, foi a região de atuação do alegretense que percorria as ilhas contabilizando o número de pinguins e o aquecimento das geleiras.

Rafael diz que na época chegou a cadastrar 400 mil pinguins, registrava o aparecimento de aves na antártica e monitorava todo o movimento dos animais.

A Ilha Rei George, onde se localiza a Estação Antártica Brasileira “Comandante Ferraz”, está exatamente nessa região do planeta que é mais sensível às variações climáticas naturais. Isso decorre da posição geográfica, no limite da extensão do gelo marinho e onde é acoplada a variação da posição do fronte atmosférico antártico.

O alegretense já encarou uma temperatura de 51º C negativos, na estação brasileira presenciou em 2012 o  incêndio, onde estavam cerca de 70 brasileiros. O geólogo foi tema de uma revista digital. A Discovery Channel, através da National Geographyc acompanhou o trabalho do alegretense, relatando o cotidiano das atividades dele em solo gelado.

Rafael também foi acompanhado pela jornalista Sônia Bridge, da Rede Globo, que detalhou os passos dele para um programa exibido no Fantástico. Entre as curiosidades que o alegretense destaca é de que no inverno, lá é  noite e no verão é semelhante ao entardecer no Brasil.

Já integrou e trocou experiências com membros das estações polonesa, russa, americana e coreana. O recorde na base brasileira foi de oito meses, onde aprendeu segredos para suportar as adversidades impostas pela região da Antártida.

Atualmente, Rafael está em Alegrete. Os projetos seguem na área de biologia. O doutor pretende aprofundar um estudo mais detalhado da migração de pássaros no entardecer sobre as árvores na Praça Getúlio Vargas.

Do continente gelado relembra muitas histórias. Desde a viagem de navio do Rio de Janeiro até a Ilha Rei George, entre outras que merecem um livro. Indagado se voltaria atuar lá. Rafael despista e diz que primeiro vai encarar o frio da Fronteira Oeste, na sua cidade natal junto de seus familiares.

 

Júlio Cesar Santos

Fotos: Acervo Pessoal

 

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